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Prémio Casino da Póvoa para Javier Cercas

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Na abertura do encontro Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, foi anunciada a atribuição do Prémio Literário Casino da Póvoa ao romance “As Leis da Fronteira”, do escritor espanhol Javier Cercas

Na sessão de abertura do encontro literário Correntes d'Escritas, que decorreu ao fim da manhã desta quarta-feira, no Casino da Póvoa de Varzim, com a presença do ministro da Cultura, João Soares, foi anunciado o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros: o escritor espanhol Javier Cercas, pelo romance “As Leis da Fronteira”, editado pela Assírio & Alvim.

O júri, composto por Carlos Vaz Marques, Isabel Pires de Lima, Helena Vasconcelos, João Rios e José Manuel Fajardo, decidiu por maioria. Na declaração de voto é valorizada “a opção por uma construção narrativa atenta à polifonia de vozes e aos seus modos distintos de convocação de memória” e “a componente de romance de iniciação, quer individual quer coletivamente considerado na Espanha dos primeiros anos de democracia”.

Além de Cercas, foram finalistas do prémio, ao qual concorreram 170 obras, os escritores portugueses Dulce Maria Cardoso, Luísa Costa Gomes, Teresa Veiga, Cláudia Clemente, Lídia Jorge, Mário de Carvalho, Valter Hugo Mãe, Valério Romão e Paulo Castilho, o angolano José Eduardo Agualusa, o brasileiro Daniel Galera e o cubano Leonardo Padura. Javier Cercas estará presente na nona mesa de debate das Correntes d'Escritas, sexta-feira à noite, em torno do tema “O escritor mente, o escritor acredita”, na companhia de Álvaro Laborinho Lúcio, Ana Luísa Amaral, Jaime Rocha e Mário de Carvalho.

O enredo do livro premiado centra-se nas atividades criminosas de um gangue juvenil, em Girona, no verão de 1978, quando Espanha estava em pleno processo de transição para a democracia. Entrevistado pelo Expresso em julho de 2014, Javier Cercas reconheceu a carga autobiográfica do romance. “Na época, eu tinha a mesma idade do personagem principal [a quem chamam Gafitas, 'caixa-de-óculos'], morava na mesma rua e frequentava o mesmo colégio. Ele é o que eu poderia ter sido, se houvesse em mim uma coragem que nunca tive.”

No final da cerimónia de abertura da 17.ª edição das Correntes d'Escritas, o ministro da Cultura atribuiu a medalha de mérito cultural a Manuela Ribeiro, organizadora do festival desde a primeira edição. As Correntes d'Escritas decorrem até ao próximo sábado, dia 27, juntando mais de 80 escritores ibero-americanos em 11 mesas de debate, que decorrerão na sala principal do Cineteatro Garrett, no centro da Póvoa de Varzim.