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Leonor Teles sobre prémio em Berlim: “Foi completamente inesperado”

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Leonor Teles recebeu este sábado o Urso de Ouro em Berlim pela curta “Balada de um Batráquio”

EPA

“Nunca pensei, achei que era impossível. Somos pequeninos, fizemos um filme com pouco dinheiro, sempre acreditaram em mim e estar aqui e ter ganhado o urso de ouro é uma coisa inacreditável", disse ainda a cineasta premiada em Berlim pela curta “Balada de um Batráquio”

Leonor Teles disse este sábado à Lusa que receber o Urso de Ouro pela curta metragem "Balada de um Batráquio", no Festival de Cinema de Berlim, "foi completamente inesperado".

"Nunca pensei, achei que era impossível. Somos pequeninos, fizemos um filme com pouco dinheiro, sempre acreditaram em mim e estar aqui e ter ganhado o urso de ouro é uma coisa inacreditável", disse Leonor Teles em Berlim, após a cerimónia de entrega dos galardões.

A realizadora do filme "Balada de um Batráquio", que expõe comportamentos xenófobos em relação a membros da etnia cigana em Portugal, espera que a 'curta' ajude a desconstruir preconceitos relativamente a esta comunidade.

"Se formos a ver, os ciganos estão à margem da sociedade e provavelmente lá vão continuar. Acho que falar um pouco sobre eles pode ajudar", referiu, em declarações à agência Lusa.

O filme aborda a prática comum em Portugal do uso de sapos de cerâmica, por parte de lojistas e proprietários de cafés e restaurantes, de forma a evitarem a entrada nesses estabelecimentos de membros da comunidade cigana, que têm várias superstições ligadas ao animal.

Leonor Teles, que tem raízes ciganas por parte do pai, diz que o filme "não apresenta só uma problemática mas tenta, de certa forma, combatê-la", uma vez que a própria realizadora sentiu a "urgência" de destruir vários desses sapos em frente à câmara.

A cineasta sublinhou que o prémio também "representa o reconhecimento de um trabalho de dois anos, e de todas as pessoas que trabalharam no filme".

Os momentos que se seguiram à entrega do prémio foram de "loucura abismal", comentou a realizadora, acrescentando que, além de receber o urso de ouro, ainda teve a oportunidade de conhecer o ator Clive Owen.

"E não é todos os dias que se conhece o Clive Owen. Isso sim é um sucesso na vida", gracejou a cineasta.

No discurso de agradecimento do prémio, que recebeu com supresa, Leonor Teles foi intercalando frases em português e inglês, confessando nunca ter pensado que o filme "pudesse receber este prémio".

"Quando fiz este filme 'tosco, nunca pensei estar aqui [na Berlinale], quanto mais em prémios", dissera a realizadora em entrevista à Lusa, em Berlim, quando o seu filme ainda se encontrava em competição.

"O que eu quero é que as próximas sessões corram bem, que as pessoas gostem do filme e, se não gostarem, [que] venham falar comigo [para o] discutirmos", afirmou.

"No fundo, fazemos os filmes para eles serem vistos e não a pensar em prémios. Claro que os prémios são importantes e ajudam a um certo lançamento", confessou então à Lusa.
Este é o segundo filme de Leonor Teles que, em 2012, rodou "Rhoma Acans", também focado na comunidade ciagana em Portugal e que lhe valeu o prémio Take One, no Curtas Vila do Conde, em 2013.

Em 2012, João Salaviza foi distinguido com o urso de ouro nesta mesma secção do Berlinale, pela curta metragem Rafa.
A 66.ª edição da Berlinale, que termina no domingo, contou com a maior presença de sempre do cinema português no certame, com oito filmes de produção nacional, três dos quais na competição oficial, incluindo a longa-metragem "Cartas de guerra", de Ivo Ferreira, inspirada na correspondência de António Lobo Antunes.