Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Adeus, comandante Lassard!

  • 333

George Gaynes, conhecido como o comandante Lassard de “Academia de Polícia” ou o pai carinhoso da série “Punky Brewster”, morreu esta terça-feira aos 98 anos. Para trás deixa uma carreira em que experimentou um pouco de tudo

"Sou demasiado velho. Ando nisto há demasiado tempo para estar radiante." As palavras são de George Gaynes quando, em 1984, aos 67 anos, conseguiu o papel que lhe trouxe a fama, "Punky Brewster". Considerava-se velho, mas a verdade é que Gaynes ainda trabalhou durante outros 20 anos e só nos deixou esta terça-feira, aos 98 anos, como a sua filha confirmou ao "The New York Times".

A carreira de Gaynes só avançou para altos voos aos 67 anos, mas desde o início teve um carácter promissor - e muito versátil. Se recuarmos a 1917, em Helsínquia nascia George Jongejans, filho de uma artista russa e de um empresário holandês, e sobrinho de outro ator, Gregory Gaye (que faz uma pequena aparição no clássico "Casablanca"). A veia artística não era uma novidade na família: o futuro ator estudou ópera em Milão e atuou em França e Itália, sendo o início da carreira interrompido pela Segunda Guerra Mundial, altura em que ingressou na Royal Dutch Navy.

Acabada a guerra, o regresso à arte: George então Jongejans, depois Gaynes, voou até Nova Iorque para se juntar à New York City Opera. No entanto, como o ator referiria depois, a arte que o seduzia era a da representação, tendo participado em inúmeras peças da Broadway. Foi uma época de felicidade para Jongejans, que em 1953 passou a ser oficialmente Gaynes e casou com a também atriz Allyn Ann McLerie, com quem teve três filhos.

Apesar de ter tido uma longa e frutuosa carreira (segundo o "New York Times", o ator participou ao todo em 35 filmes e centenas de sitcoms e dramas televisivos, além de inúmeras peças de teatro, musicais e óperas), o sucesso só chegaria nos anos 1980; para compensar, fê-lo de forma tripla.

Nessa década, uma das suas atuações mais badaladas aconteceu na série de quatro temporadas "Punky Brewster", em que o ator fazia de pai adotivo da personagem interpretada pela atriz Soleil Moon Frye, que já deixou uma mensagem de condolências no Twitter.

Em 1982, a performance de Gaynes em "Tootsie", um filme que conquistou dez nomeações para os Óscares desse ano, foi elogiada pela crítica. Escrevia Vincent Caby no "Times": "É tão engraçado que duvido que Gaynes continue durante muito tempo a ser daqueles atores cuja cara e nome são familiares, mas que não conseguimos associar".

Em 1984, mais uma oportunidade de ficar para a História: o filme "Academia de Polícia" - seguido de seis sequelas - mostrava o excêntrico comandante Eric Lassard, que se tornaria muito popular junto do público, apesar das opiniões negativas da crítica ("barulhento" foi o adjetivo dedicado ao filme).

No ano em que Gaynes se tornou Lassard, o "New York Times" escrevia: "Quem acredita em finais felizes vai ficar consolado com a carreira de George Gaynes, prestes a tornar-se uma celebridade televisiva". O próprio parecia ter os pés bem assentes na terra, quando no mesmo ano afirmou ao "The Times": "A minha mulher está contente porque podemos viajar e comprar uma capa para o sofá. Mas conhecendo a indústria do entretenimento, não posso levar isto demasiado a sério".

Gaynes não levava "isto" a sério, mas o público sim - prova são as mensagens de condolências deixadas esta quarta-feira nas redes sociais. É que, como diz ao "Hollywood Reporter" Jonathan Howard, o seu agente durante 30 anos, "ele foi um dos verdadeiros cavalheiros desta indústria. É uma perda muito triste, mas teve uma vida muito boa e longa".