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Uma análise da realidade em “Universos Paralelos”

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Filipe Ferreira

Peça posta em cena pela companhia mala voadora será apresentada no Porto, Lisboa e Torres Novas

Cláudia Lopes

A realidade e a perceção que dela temos é o mote de partida da peça “Universos Paralelos”, que irá estar em cena no Porto no dia 19 de fevereiro, às 15h, e nos dias 20 e 21 de fevereiro, às 17h, no Auditório do Teatro Campo Alegre. A história centra-se no primeiro dia de trabalho de três seguranças, “numa empresa que produz mundos semelhantes ao nosso para fazer experiências que permitam que o nosso mundo passe a deixar de precisar de vigilância”, diz-se na sinopse da peça. No entanto, tudo se complica quando o chefe “desaparece misteriosamente: primeiro da empresa, depois da memória de todos e, por fim, das próprias imagens captadas pelas câmaras de vigilância”.

A premissa da peça centra-se na interrogação elementar: o que é o real e o que é a realidade? “Num dispositivo de perceção como o da videovigilância, quem vê está a construir uma imagem a partir de dados parciais, ou seja, está a compor uma “realidade”. Quem é visto pode encenar-se para quem vê, ou seja, está também a compor uma “realidade”. Tudo artificialismo”, explica ao Expresso um elemento da companhia mala voadora. Desta forma, a realidade chega ao espectador “ incompleta e por uma via voyeurista”, pois está marcada pela subjetividade das três personagens. A estas junta-se mais uma problemática, a da vivência no mundo virtual, que torna ainda mais difícil tomar consciência do que é real e do que não o é.

“Universos Paralelos” é levada a cena pela companhia de teatro mala voadora, fundada em 2003 pelos atuais diretores artísticos José Capela e Jorge Andrade, que alia a produção de espetáculos à realização de múltiplas atividades, tais como residências artísticas, ações de formação, encontros de reflexão, exposições, apresentação de espetáculos ou de cinema, no espaço mala voadora.porto, localizado na rua do Almada.

Foi precisamente Jorge Andrade, um dos fundadores da companhia, a escrever e dirigir esta peça, que ganha vida através das interpretações dos atores David Pereira Bastos, Filipa Coreia, Marco Paiva e Marta Correia.

Para o público em geral os bilhetes terão o custo de cinco euros, e de dois euros para grupos escolares.

Para além das datas no Teatro do Campo Alegre, “Universos Paralelos” irá também estar em cena de 26 a 28 de fevereiro e de 2 a 6 de março em Lisboa, no Teatro Nacion al D. Maria II, e em Torres Novas, no Teatro Virgínia, nos dias 11 e 12 de março.