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Os Novos caminhos do Fado Violado

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D.R.

Grupo faz uma simbiose entre fado e flamenco e regressa aos palcos esta quinta-feira com um concerto no Teatro Municipal de Bragança

Cláudia Lopes

Após um ano de 2015 com múltiplas atuações em Portugal e Espanha e com o lançamento do seu álbum de estreia, os Fado Violado regressam esta semana aos palcos após a apresentação de “Fado de Deus Apercebido”, o seu novo single. Fado Violado, da dupla Ana Pinhal, na voz, e Francisco Almeida, na guitarra, é assim chamado como forma de classificar a sua sonoridade, uma mistura de fado com flamenco, da qual sobressaem o sentimento da voz e o ritmo da guitarra. Lançaram em 2015, e através de uma campanha de financiamento coletivo, o seu álbum de estreia, "Jangada de Pedra", pois como acontece no livro homónimo de José Saramago, também eles criam uma jangada ibérica ao unirem Portugal e Espanha através da junção das suas sonoridades mais expressivas – o fado e o flamenco.

O percurso começa em 2007, quando Ana e Francisco se mudam para Sevilha para estudar na Fundación Cristina Heeren, ele guitarra flamenca e ela o cante flamenco. “Um dia ao chegar a casa, ouço o Francisco a tocar algo que me parecia ser o “Barco Negro”, senti uma saudade imensa e uma vontade muito grande de cantar a minha língua! Parecendo clichê a verdade é que, quando estamos longe dos nossos, aquilo que nos identifica ganha outra dimensão. Assim, aliando a escola que tínhamos, o flamenco, ao que nos ia na alma, o fado, começámos o trabalho de pesquisa.”

É dessa junção entre o passado e o presente, entre as raízes e a descoberta, que nasceram os Fado Violado. Começaram por expor os resultados das experiências num restaurante onde tocavam Música Popular Brasileira e rapidamente foram convidados, por dois bailarinos de tango argentino, para “montar um pequeno espetáculo onde se pretendia que o Fado fosse bailado à luz dessa arte argentina. Uma vez que possuíamos no momento um repertório ainda muito curto, fomos obrigados a alargá-lo rapidamente e assim nos estreámos a sério, em Sevilha. A partir daí foram surgindo mais convites por parte de alguns bares e restaurantes. O Fado era muito apreciado e, no nosso caso, tínhamos a vantagem de lhe acrescentar a cor do Flamenco, que lhes parecia algo bastante exótico.”

O sucesso que tiveram junto do público motivou que continuassem a investir no projeto e assim vão construindo um reportório musical, de início completamente dedicado aos fados clássicos, segundo Ana, “os temas que nós melhor conhecíamos”, e que depois foram incluídos no álbum Jangada de Pedra. “Estranha forma de vida”, “Barco Negro” e “Lá porque tens cinco pedras”, de Amália Rodrigues são alguns deles, assim como “Rosinha dos limões”, uma adaptação de um fado de Maximiano de Sousa que a dupla decidiu adotar como single de estreia.

A estes juntam-se alguns originais, concebidos numa fase mais madura do percurso da dupla. “É o caso de “E Tudo o Vento Levou” e “Quase Noite”. Foram escritos com a intenção de serem cantados sobre fados tradicionais, o fado Lopes e o fado varela respetivamente, “mas achámos que não bastavam os poemas, precisávamos de melodias inéditas, canções, refrões”, revela Ana Pinhal. Surgem assim “Asas”, baseado numa história real de desamor, “Senhora da Luz”, nas palavras da dupla “um apelo urgente ao amor-próprio e à coragem e “Fado de deus Apercebido”, “ uma sátira à criação da humanidade”.

Para além dos espetáculos em Bragança e em Braga, no dia 12, os Fado Violado têm ainda um concerto em Oleiros, na Galiza, no dia 13 de Fevereiro.