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Governo afirma “intenção firme“ de cooperar com Loures na recuperação do Palácio Valflores

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MANUEL DE ALMEIDA / Lusa

Garantia foi deixada pelo ministro da Cultura durante uma visita ao palácio, que foi mandado construir no século XVI e é considerado um exemplo da arquitetura residencial renascentista em Portugal

O ministro da Cultura garante que o Governo socialista tem "a intenção firme" em cooperar com a Câmara de Loures na recuperação do Palácio Valflores, um dos 14 monumentos mais ameaçados na Europa, segundo a organização Europa Nostra.

A garantia foi deixada pelo ministro da Cultura João Soares, no decorrer de uma visita esta manhã ao concelho de Loures, durante a qual visitou o palácio, que foi mandado construir no século XVI por Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres, e é considerado um exemplo da arquitetura residencial renascentista em Portugal.

A ideia da visita é "avaliar com os meus próprios olhos algumas questões de natureza patrimonial que se colocam no concelho de Loures, e onde o Ministério da Cultura tem a intenção firme de trabalhar em cooperação com o município", nomeadamente na reabilitação destes exemplar arquitetónico, que foi habitado até ao século XIX pela família Barros e Vasconcelos.

O palácio, em Santa Iria da Azóia, faz parte de uma quinta com cerca de 44.000 metros quadrados e que outrora teve olivais, laranjais e pomares de maçãs e pêras, entre outras utilizações agropecuárias até à primeira metade do século XX, quando o imóvel foi adquirido pela família inglesa Reynolds, explicou à Lusa a arqueóloga Ana Raquel Silva, da Câmara de Oeiras.

MANUEL DE ALMEIDA / Lusa

O palácio, agora propriedade da Câmara de Loures, e que foi conhecido no século XX como das abóboras, está em avançado estado de degradação e com as estruturas "muito frágéis", sendo "essencial a sua sustentação, para uma posterior intervenção", disse a arqueóloga.

A sustentação do palácio tem um custo de meio milhão de euros, totalmente suportados pela Câmara, diz o seu presidente, Bernardino Soares, que frisa o "empenho" da autarquia na sua recuperação.

A visita de João Soares, a convite do autarca comunista, deve ser perspetivada numa articulação da "ação do Governo central com a autarquia local", disse o ministro.

Bernardino Machado e João Soares durante a visita ao Palácio Valflores. esta manhã

Bernardino Machado e João Soares durante a visita ao Palácio Valflores. esta manhã

Manuel de Almeida / Lusa

Para João Soares, o palácio Valflores "é um exemplo concreto de uma peça de património histórico, que importa para já preservar, depois reabilitar, e encontrar uma utilização compatível com a localização soberba que tem".

"É nesta perspetiva que estamos aqui, para trabalharmos juntos, de uma forma fraterna e que se espera que seja dinâmica, conscientes das dificuldades com que o país está confrontado no plano orçamental", frisou o ministro da Cultura, realçando: "Somos gente madura e profundamente responsável e não podemos fazer promessas que não possamos cumprir em termos dos recursos orçamentais".

Para já, adiantou a arqueóloga Ana Raquel Silva à Lusa, o projeto de sustentação vai candidatar-se a financiamento europeu. João Soares adianta que o seu ministério vai constituir "uma equipa simples" com a edilidade para debater todas as possibilidades, nomeadamente o recurso a fundos europeus para a sua reabilitação.

"Trabalhar com afinco", foi a promessa deixada por João Soares que em seguida visitou a Praça Monumental, em estilo barroco, em Santo Antão do Tojal, e o Centro de Interpretação da Rota Histórica das Linhas de Torres e Museu do Vinho e da Vinha.

Quanto à utilização futura do palácio e da quinta, Bernardino Soares disse que deve ter uma função na área da cultura.

O palácio Valflores está classificado como Imóvel de Interesse Público, e, em 2015, um comunicado divulgado pela autarquia, propunha a criação de um centro cultural, com uma escola de artes e ofícios e um pequeno museu para "fomentar a coesão sóciocultural e recolocar o palácio no plano de desenvolvimento urbano da região".