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Não tem voz nem corpo mas está a causar uma revolução no mundo da música

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Hatsune Miku é uma cantora 3D construída por uma comunidade de fãs virtual. Já abriu um concerto de Lady Gaga, atuou no programa de Letterman e agora vai partir em digressão pelos EUA

Pagava para ver um concerto em que o palco é ocupado por… ninguém? Pode parecer estranho, mas é isso mesmo que milhares de pessoas estão a fazer, do Japão aos Estados Unidos. Mais: essas pessoas também criam as músicas que depois pagam para ouvir. Apresentamos-lhe o conceito que está a revolucionar uma das infinitas partes do mundo da música.

Hatsune Miku é atualmente uma das maiores estrelas pop do Japão. O problema, ou a vantagem, é que a cantora não existe, não tem corpo nem voz. É apenas uma cantora virtual, gerada por computador e projetada num ecrã, e nem as notas que saem da sua boca pertencem a um cantor real: são produzidas informaticamente através do software Vocaloid, que modifica os sons a partir de um banco de vozes.

A fórmula do sucesso de Miku reside no facto de todas as suas músicas serem compostas pelos seus fãs. Desde 2007 que uma comunidade virtual escreve as músicas de Miku e, graças à Crypton Future Media, a empresa que criou esta boneca 3D, também altera o seu visual e roupas, assim como cria novas coreografias. O fascínio é explicado por Matthew Farnham, um produtor do Maine que escreve músicas para a cantora virtual: “Miku é uma entrada para o mundo da música. Ela dá voz a muitas pessoas que de outra forma não a teriam”, diz ao Engadget.

Como a artista norte-americana Amy Fineshriber, que ajudou a desenhar Miku, explica ao Engadget, “muitas estrelas pop têm equipas que escrevem as suas músicas, controlam os seus visuais e planeiam concertos. Têm uma personalidade artificial criada pela indústria, enquanto a Miku tem uma personalidade criada pelos seus fãs. As suas músicas não pertencem à empresa”. O resultado é uma Miku com muitos visuais que canta desde baladas românticas a canções de heavy metal pesado – no total, a boneca canta mais de 100 mil músicas.

O sucesso de Miku pode ter começado no Japão, mas rapidamente se expandiu. Prova disso é que em 2014 Miku realizou o sonho de muitos artistas ao abrir um concerto de Lady Gaga no Madison Square Garden, em Nova Iorque. O holograma que a representa também já atuou para David Letterman. Agora, a próxima aventura de Miku é uma digressão pelos Estados Unidos, marcada para abril deste ano.