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As paisagens emocionais de Sonnabend no mundo de Siza

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Serralves inaugura esta sexta-feira exposição “Meio século de arte europeia e americana”, construída a partir da coleção Sonnabend

D.R.

É tida como uma das mais importantes coleções de arte da segunda metade do século XX e foi construída por Ileana Sonnabend (Bucarest 1914, Nova Iorque, 2007), uma das mais relevantes galeristas do século passado com quem trabalhou durante décadas o português António Homem (saiba mais AQUI). Parte dessa coleção poderá ser vista a partir de amanhã no Museu de Serralves.

Em conversa com o Expresso, António Homem, 76 anos, curador da exposição, identificava cinco núcleos não cronológicos, resultantes da “definição de afinidades de pensamento”. Vê tudo quanto ali se revela como “paisagens emocionais” num estado de quase encantamento pelo modo como ficam enquadradas com o edifício e a arquitetura de Álvaro Siza Vieira.

Resulta deste encontro um “eco único para a exposição”, ao ponto de, considera António Homem, constituir “um luxo extraordinário” esta hipótese de presente, ainda que provisório, de o Museu concebido por Álvaro Siza fazer também parte da exposição.

A mostra inclui 61 pinturas, esculturas e instalações da autoria de 44 artistas, realizadas entre 1956 e 2007. A maioria das obras são apresentadas pela primeira vez em Portugal e muitos dos artistas representados são referências consideradas essenciais da coleção de Serralves.

Para lá dos cinco grupos em que se divide a exposição há mais três núcleos não representados, refere o curador. Essa a razão para se intitular “Parte 1”. Indicia a possibilidade de uma segunda parte, embora não haja de momento qualquer data ou certeza quanto à concretização desse projeto.

No primeiro núcleo, dedicado a Ileana Sonnabend, destacam-se os retratos da galerista, da autoria de Andy Warhol, e de Michael Sonnabend, segundo marido de Illeana, por George Segal. O segundo núcleo é dedicado à arte pop americana e ao “nouveau realisme” francês. Podem ver-se ali pinturas e esculturas de Arman, Christo, Jasper Johns, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg, Robert Rauschenberg ou Mario Schifano.

O terceiro núcleo inclui obras associadas à “arte povera” e à antiforma, com obras de Richard Serra ou Bruce Nauman. O minimalismo ocupa o quarto núcleo e o quinto núcleo inclui uma peça de chão criada por Barry Le Va e pinturas de neoexpressionistas alemães como Anselm Kiefer.

Nascida em Bucareste, na Roménia, em 1914, Ileana Sonnabend casou, em 1934 com Leo Castellium importante galerista italo-americano. Em 1939, o mesmo ano do início da II Guerra Mundial, Illeana abre uma galeria de arte em Paris mas o casal acaba por ver-se forçado a emigrar para Nova Iorque, onde cria um novo espaço dedicado à arte.Passam a representar artistas como Robert Rauschenberg e Yves Klein.

O casamento de Ileana com Michael Sonnabend acontece em 1959. Três anos depois abrem uma galeria em Paris, e 11 anos depois, em 1970, uma outra em Nova Iorque. No intervalo entre a abertura destas duas galerias aparece-lhes na vida o português António Homem, um jovem de 25 anos conhecido durante um jantar prévio à abertura de uma exposição em Zurique.

António passou a fazer parte da vida do casal, ao ponto de ter sido adotado já com quase cinquenta anos. Co-herdeiro, com a filha de Illeana, de uma coleção avaliada em mil milhões de dólares, António é hoje o rosto e o guardião dos valores e dos princípios associados á coleção.