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A magia de uma morte

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Vanessa (Thati Lopes)
 é assistente de palco 
e amante do mágico Gonzalez (Luis Lobianco)

D.R.

O coletivo Porta dos Fundos dispara em todas as frentes e aos vídeos que os popularizaram juntaram-se as séries. “O Grande Gonzalez” é o primeiro produto especialmente concebido para televisão. Estreia-se sexta-feira no FOX Comedy

Abandonar a certeza dos vídeos que há muito fazem sucesso em prol de uma série de televisão? Dizer adeus ao que os catapultou para a fama e os fez crescer? Virar costas à notoriedade? Calma, cara. Não é tanto assim. A Porta dos Fundos continua a produzir conteúdos para distribuir na internet e também não deixou de criar peças de teatro ou de participar em espetáculos de stand up comedy. Apenas decidiu aventurar-se no mundo da televisão de uma forma mais séria. A ideia era arrojada e podia não funcionar, mas nada como experimentar e pensar uma série de raiz para perceber até onde poderiam ir. Chegaram ao mundo da magia com “O Grande Gonzalez”. O crime aqui também não é ilusão.

Tudo começa numa festa de aniversário infantil e há mais de 30 crianças a correr numa casa ajardinada. Gonzalez (Luis Lobianco) é um dos contratados e os seus truques de ilusão prometem transportar os mais novos para uma dimensão onde os sonhos se desenrolam à frente dos seus olhos. Torna-se um pesadelo e tudo corre mal desde o início. O truque era simples e consistia em fazer desaparecer um avião em miniatura e transformá-lo numa pomba, pondo-a a voar. A ave era afinal um coelho e este acabou por ferir uma das crianças da festa. Sabotagem? Com toda a certeza. O pior viria depois, quando Gonzalez se aventura na Caixa de Tortura. O mágico fica preso num tanque de água e acaba por morrer. Não se trata de um acidente.

A história é mais ou menos esta, mas os contornos podem não ser exatamente os apresentados. Há versões diferentes para a mesma tragédia e a descrição daquela tarde de sol é diferente consoante aquele que a conta. É preciso encontrar um culpado para a morte de Gonzalez e não será fácil perceber quais os motivos que levaram um dos oito suspeitos a cometer o crime.

Uma série inesperada

O coletivo quis fazer diferente e Ian SBF, que tratou do argumento e esteve a cargo da realização, apostou numa narrativa mais longa do que aquelas a que os humoristas nos habituaram. A história está encadeada e não bastará meia hora para perceber tudo o que está em causa. Há humor, mas também há espaço para o drama e para o mistério. Os factos não serão conhecidos episódio a episódio. A trama há de adensar-se antes da chegada das primeiras conclusões.

A estrutura de “O Grande Gonzalez” não é linear, desengane-se quem o pensar, e a montagem das cenas também não acontece da forma mais simples. A investigação não corre à velocidade que as autoridades desejariam. Os agentes estão lá mas não serão eles a comandar o rumo de “O Grande Gonzalez”. Os implacáveis “policiais” — António Pedro Tabet como Lucimar e João Vicente de Castro como Wagner — terão muito material para organizar até ao último capítulo, em que se dará a reconstituição do crime. A ponte com as séries criminais norte-americanas surge em pormenores que escapam à primeira vista. Claro que o quadro branco (em que todas as informações e ligações entre os suspeitos são esquematizadas) não podia faltar.

São os suspeitos quem impõe o ritmo e é através deles que a história da fatídica tarde é contada. Surgirão várias teorias e diversos testemunhos falsos até que a verdade suba à tona. Há de transbordar. A cada episódio surgirá um presumível homicida e caberá a cada um defender-se como conseguir. O circo está montado e não faltarão um palhaço (interpretado por Fábio Porchat), um mágico com a carreira hipotecada (Gregório Duvivier) ou uma assistente de magia e amante de Gonzalez (interpretada por Thati Lopes) a lutar pela sua liberdade enquanto tentam escapar por entre as ratoeiras montadas pela polícia. Este é o primeiro produto televisivo exclusivo da Porta dos Fundos para a FOX e o Brasil rendeu-se ao formato. Por cá, a estreia acontece já na sexta-feira, às 23 horas, no FOX Comedy. O mágico defunto e os suspeitos de homicídio vão acompanhar-nos ao longo de 10 episódios de 30 minutos. A emissão será diária e a verdade revelada no domingo, 14 de fevereiro. A série completa fica disponível no site do coletivo no dia em que o primeiro episódio passa em Portugal.