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Ai Weiwei recusa expor na Dinamarca em protesto contra os confiscos a refugiados

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ORESTIS PANAGIOTOU / EPA

Artista chinês protesta contra a aprovação da polémica lei

Rui Tentúgal

Rui Tentúgal

(com Lusa)

Jornalista

O artista chinês Ai Weiwei anunciou esta quarta-feira que vai fechar a sua exposição patente na Fundação Faurschou, em Copenhaga, e retirar-se de uma outra, coletiva, intitulada "A New Dynasty. Created In China", no museu ARoS, em Aarhus, em protesto contra a lei dinamarquesa que permite às autoridades confiscarem aos refugiados bens sem valor sentimental (como alianças de casamento) superiores a 10.000 coroas dinamarquesas (1340 euros) para assim custearem a sua estadia no país.

A lei foi aprovada esta terça-feira e a reação de Ai Weiwei foi rapidamente anunciada no Instagram. Na mesma rede social, o presidente da Fundação Faurschou, Jens Faurschou, manifesta apoio à decisão tomada pelo artista.

A exposição individual intitulada “Ruptures” abriu na primavera de 2015 e iria fechar a 15 de abril. A mosta em ARoS foi inaugurada em novembro e prolonga-se até ao final de maio.

A lei, proposta por um partido anti-imigração e aprovada com os votos da direita e dos sociais-democratas, foi muito criticada pela confiscação dos bens, comparada por alguns à espoliação dos judeus pelo regime nazi, e pelo adiamento do direito ao reagrupamento familiar, considerado por juristas como contrário a várias convenções internacionais.

“Uma voz global”

Artista polivalente e ativista dos direitos humanos, Ai Weiwei, de 58 anos, esteve preso três meses na China e privado do passaporte nos quatro anos seguintes devido às críticas que fez ao governo de Pequim. Só em julho passado pode voltar a viajar para o estrangeiro.

"Quando ele vivia na China, apontava os problemas de lá. Agora vive na Europa, aponta os daqui. Ele tem uma voz global", disse o galerista à BBC.

Já anteriormente, Ai Weiwei tinha manifestado solidariedade com os migrantes que tentam chegar à Europa, anunciando a intenção de construir um monumento na ilha grega de Lesbos em memória dos que morrem na travessia do Mediterrâneo.