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Teatro São João recorda Shakespeare nos 400 anos da sua morte

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Susana Neves

Shakespeare 400 é um seminário imaginado para todos os amantes da grande literatura

Taísa Pagno

O Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, vai dedicar um sábado por mês, até junho, à leitura e análise de seis peças de Shakespeare, sob a orientação da poetisa Ana Luísa do Amaral, professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e parte integrante da direção do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa.

“Shakespeare é uma das minhas paixões”, revela ao Expresso a poetisa, que considera o dramaturgo uma “das figuras mais completas” da literatura europeia. Refere-se "não só à dimensão de experimentação estilística das suas peças mas também ao fato de recorrer a temas que continuam profundamente atuais”, como o do amor, o ódio, o ciúme e a intriga.

Destinado a maiores de 18 anos, o seminário é composto por seis módulos. Iniciou-se a 16 de janeiro, com a peça “O Mercador de Veneza”, escolhido como ponto de partida por levantar “problemas fundamentais” como “a discriminação e o ódio” e a forma como este se vai instalando por causa do medo que “a representação do outro e que os estereótipos nos provocam”.

Segue-se “Rei Lear”, a tragédia “mais sombria de Shakespeare” e a favorita da poetisa, a 6 de fevereiro. A análise é centrada nos paradoxos cegueira/visão e loucura/razão. “Conhece-te a ti mesmo” é, segundo Ana Luísa Amaral, o grande mote da peça, que expõe ainda a relação da linguagem com o poder e com a violência.

A leitura de “A Tempestade”, considerada a peça mais “poética” do dramaturgo, está marcada para 5 de março e proporcionará uma análise do domínio da linguagem.

A 9 de abril a reflexão recai sobre a obra “Júlio César”, onde se podem encontrar temas como a manipulação das massas através da retórica e da manobra política.

Em “Macbeth”, peça “profundamente política”, são analisadas, a 14 de maio, questões éticas e morais, a política, a violência, a ligação entre a vida e o palco, políticas sexuais e a inserção do tema das bruxas na obra de Shakespeare, bem como a obsessão, a loucura, a ambição, o poder e o arrependimento.

No último módulo, a 4 de junho, entra a peça “Romeu e Julieta”, centrada nos temas amor e ódio. Para a poetisa, a análise das duas famílias que compõem o enredo permite uma reflexão sobre as relações na atualidade, transportando o ódio que as separa para os nossos dias e “expandindo a noção de família”, de forma a “pensá-la em termos de nação, de cultura e de etnia”, por exemplo.

Ana Luísa Amaral traduziu 31 sonetos de William Shakespeare, obra convertida em livro, com o mesmo nome, lançado em 2015. Para o público infantil, escreveu “A Tempestade”, que surge de uma adaptação da obra original em conjunto com “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson.

A poetisa tem várias publicações académicas em Portugal e no estrangeiro e os seus livros de poesia estão editados em países como França, Brasil, Suécia, Holanda, Venezuela, Itália e Colômbia.