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Cultura

Pintura portuguesa a caminho do Louvre

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“Maria Madalena Confortada pelos Anjos”, quadro de Josefa de Óbidos (1630-1684)

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A ideia, e todo um importante conjunto de esforços que têm vindo a ser desenvolvidos nesse sentido, é fruto do dinamismo do galerista Filipe Mendes

A possibilidade de o Museu do Louvre, em Paris, albergar uma sala dedicada à pintura portuguesa começa a passar do patamar do sonho para o da realidade.

A ideia, e todo um importante conjunto de esforços que têm vindo a ser desenvolvidos nesse sentido, é fruto do dinamismo do galerista Filipe Mendes, que adquiriu há cerca de um ano um quadro de Josefa de Óbidos (1630-1684) — “Maria Madalena Confortada pelos Anjos” —, que oferecerá ao museu parisiense e que a partir de março deverá estar exposto, para já, ao lado de uma natureza-morta da autoria do pai da pintora, Baltazar Gomes Figueira (1604-1674).

“Estamos a criar em Paris uma associação para a proteção da arte portuguesa fora de Portugal”, porque há, pelo menos em França, “quadros portugueses, uns mais conhecidos e outros menos, que precisam de restauro ou de melhor visibilidade”, explica Filipe Mendes.

Segundo ele, a associação deverá adquirir um outro quadro para ceder ao Louvre, somando assim um acervo inicial de cinco obras, entre as quais a natureza-morta de Baltazar Gomes Figueira e a “Alegoria da Fundação da Casa Pia de Belém”, de Domingos Sequeira (1768-1837), que integra as coleções do museu mas que até aqui não esteve em exposição.

O galerista aponta neste projeto o importante papel do novo conservador de pintura do Museu do Louvre, que se tem mostrado sensível à abertura de uma sala de pintura portuguesa. “E com seis quadros podemos abri-la”, afirma Filipe Mendes. O sexto quadro, revela, poderá ser comprado pelo próprio Louvre e está já localizado. “É assim um sonho, mas que vai ser concretizado”, conclui.

O processo tem exigido uma familiarização por parte dos responsáveis do Louvre com a história da pintura portuguesa. E, depois de uma primeira deslocação recente a museus de Lisboa, em breve regressarão para conhecer as coleções expostas em Óbidos, Coimbra, Aveiro, Viseu e Porto.

O galerista lança, entretanto, um alerta aos museus portugueses para uma outra obra de Josefa de Óbidos que vai ser leiloada na Sotheby’s de Nova Iorque, no dia 28, num leilão de Grandes Mestres. Trata-se de “A Sagrada Família com São João Batista, Santa Isabel e os Anjos” (1678), obra que faz par com o quadro que vai doar ao Louvre e que, confessa, gostaria de ver num museu português.