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Filho de Bowie partilha emotiva carta de agradecimento de um médico

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Michael Loccisano/Getty Images

Um especialista em cuidados paliativos escreveu uma carta aberta ao cantor recentemente desaparecido, onde agradece o que este lhe proporcionou como artista e explica como a forma de Bowie lidar com a morte o ajudou no desempenho da sua profissão clínica

Entre as várias homenagens prestadas a David Bowie após a sua morte, por colegas, gente anónima e amigos do cantor, há agora uma outra, divulgada pelo filho do artista britânico, que voltou às redes sociais para partilhar a carta de agradecimento que um médico endereçou a Bowie.

O ‘post’ de Duncan Jones remete para o texto escrito pelo especialista em cuidados paliativos Mark Taubert, numa carta aberta publicada na secção de blogues do site do “British Medical Journal”. Nela,o médico revela que o cantor o ajudou em muitas situações, inclusive em momentos delicados da sua vida profissional.

Taubert começa por fazer referência a uma discussão que manteve com uma doente terminal, alguém com quem, ao falar sobre o desaparecimento e a música de Bowie, conseguiu comunicar “abertamente” sobre o tema da morte, “algo difícil de abordar para muitos médicos e enfermeiros”.

O médico agradece ainda “pelos anos 80” e as “muitas horas de alegria” ao ouvir as músicas do cantor, que haveriam de ficar ligadas a momentos especiais da sua vida e à vivências com os amigos.

Noutra passagem, Taubert agradece “em nome do meu amigo Ifan”, que conseguiu entrar sem pagar num concerto em Cardiff (“ele pede desculpa”, escreve o médico)“. Durante o espectáculo “tu acenaste-lhe a partir do palco, algo que permanecerá na sua memória para sempre”, acrescenta.

Há uma nota para os temas Lazarus e Blackstar. “Eu sou um médico e o que fizeste durante o tempo em que a morte já rondava teve um efeito muito profundo em mim e em muitas outras pessoas com quem trabalho”, pode ler-se. E acrescenta: “O teu álbum está repleto de referências e alusões, sugestões. Como sempre, não facilitas a interpretação de tudo, mas talvez essa não seja a questão principal”.

  • Amem o que é diferente: mural de Bowie

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