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Magia à volta do real e do imaginário no Teatro do Bolhão

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Hélder Magalhães, o melhor mágico do mundo em cartas, apresenta "Verso", um ensaio artístico sobre a importância da memória na construção da realidade.

Taísa Pagno

“Verso” está desde hoje no Teatro do Bolhão, no Porto. Inspira-se na vida, nas coisas que o mágico lê e que o estimulam ou incomodam, bem como em histórias pessoais. Trata-se de “uma coleção de momentos que têm alguma ressonância em mim”, acrescenta Hélder, umo mágico natural do Porto agora radicado em Los Angeles, nos Estados Unidos da América.

O espetáculo une teatro e magia e está dividido em duas partes “bastante diferentes”, que funcionam de forma separada mas ao mesmo tempo permitem o espectador uma “leitura conjunta”, no final da peça.

A temática global da peça, que se mantém em cartaz até domingo, com uma duração de duas horas por sessão, está centrada nos conceitos verdade e mentira, e na visão de cada um sobre estes aspetos da existência.

Para Hélder, que se estreou na magia aos quatro anos, no infantário, este é o primeiro espetáculo organizado em Portugal, depois do sucesso internacional.

Não sabendo quantificar o número de horas que demorou para preparar “Verso”, afirma que um espetáculo deste género pode necessitar de alguns anos para ser elaborado, porque passa pelo “acumular de conhecimento” que se vai adquirindo ao longo do tempo.

Questionado sobre a continuidade de “Verso”, adianta que, de momento, “a ideia foi poder trazer este espetáculo e estreá-lo no Porto e em Lisboa”, sendo apresentado nos Estados Unidos (EUA) no final do ano, país onde vive desde 2006, quando foi reconhecido como o Melhor Mágico do Mundo em Cartas.

O portuense de 32 anos avança ainda que vai estrear, em fevereiro, também nos EUA, um espetáculo “diferente”, com lotação máxima para 30 pessoas em cada sessão.

As distinções começaram cedo para Hélder que, em 2004, foi o primeiro português a receber o Prémio Ascanio, em Espanha. Em 2012, pelo segundo ano consecutivo, ganhou o “Parlour Magician of the Year”, na 44.ª Cerimónia da Academia de Artes Mágicas de Hollywood, nos EUA, constituída por um júri com três mil elementos.

O último espetáculo que organizou, nos EUA, intitulado ‘Nothing to Hide’, em cena na Geffen Playhouse e na Broadway, recebeu críticas como as do Washington Post, que defendia que “numa época em que a Broadway lida com orçamentos multimilionários, um dos mais apaixonantes espetáculos que lá está é feito com um simples baralho de cartas”.