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Fez quase sempre de mau e foi assim que o público percebeu que ele era muito bom

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O ator britânico morreu de cancro aos 69 anos, confirma a família

Andreas Rentz

Morreu Alan Rickman. Dizemos-lhe adeus, a ele que assaltou o arranha-céus de Bruce Willis, que atormentou por boas razões o Harry Potter e que foi o xerife mau de Robin “Kevin Costner” Hood

É uma semana dura: depois de as canções terem perdido David Bowie, o cancro voltou a levar mais um dos nossos, agora do cinema: Alan Rickman, 69 anos. A notícia foi confirmada esta quinta-feira pela família do ator e lamentada pela imprensa britânica, na qual se multiplicam as homenagens a Rickman. O homem que dizia que “o talento é apenas uma combinação de genes e uma responsabilidade” representou, realizou, dirigiu atores e conseguiu aquilo que ambicionava acima de tudo: deixar a sua marca.

Uma carreira feita de vilões

Embora as novas gerações o reconheçam como o professor Snape, o vilão que todos adoravam odiar e que atormentava Harry Potter por boas razões, a verdade é que o ator britânico começou a aparecer no grande ecrã há 30 anos. Entre os trabalhos mais célebres de Rickman enquanto vilão contam-se “Die Hard”, o filme de 1988 em que desafiou Bruce Willis com a personagem de Hans Gruber, mas também “Robin Hood: Príncipe dos Ladrões”, em 1991, ou “Rasputin”, em 1995. Mais recentemente, fez par romântico com Emma Thompson num dos mais populares filmes de Natal das últimas décadas, “O Amor Acontece”, de 2003, e se não foi propriamente o mau da fita, também não terá ficado bem visto depois de trair a mulher com uma colega de trabalho.

Mas como o “The Guardian” relembra, nem só de papéis desagradáveis se fez o extenso currículo de Rickman: no filme romântico de 1991 “Truly, Madly, Deeply”, e no clássico “Sensibilidade e Bom Senso”, em 1995, o público pôde ver uma faceta mais doce de Rickman.

Uma voz única

Se hoje em dia o conhecemos sobretudo pelas transformações que testemunhámos no grande ecrã, a verdade é que a carreira de Rickman começou e despontou nos palcos do teatro, muitas vezes na Broadway - com a sua primeira grande oportunidade, trazida pela peça “Ligações Perigosas”, na qual interpretou o mordomo Valmont, conseguiu um prémio Tony.

Para os papéis em musicais, a voz de Rickman, um dos elementos que mais o distinguiam, foi determinante. Em 2008, professores de linguística concluíram que as vozes de Rickman reunia as condições para a voz masculina ideal - o tom, velocidade, entoação e as palavras ditas por minuto eram perfeitos.

O homem que queria mudar o mundo

Embora seja sobretudo conhecido pelo seu trabalho como ator, Rickman também se aventurou atrás das câmaras, como realizador, com “The Winter Guest”, em 1995, e “A Little Chaos”, já no ano passado. Para ele, o que importava era deixar uma marca: “Um filme, uma peça de teatro, uma música ou um livro podem fazer a diferença. Podem mudar o mundo”.

As homenagens já começaram a invadir as redes sociais.

Nas redes sociais são muitos os jovens fãs que prestam homenagem recorrendo a citações e imagens do eterno professor Snape. Outros imaginam o encontro de Rickman e Bowie no paraíso: