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Portugal em risco de perder Vieira da Silva

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As melhores obras da pintora podem ser vendidas. O Governo já iniciou negociações. Mas são precisos €6 milhões para as manter


Os proprietários das últimas seis melhores obras de Maria Helena Vieira da Silva expostas no museu que leva o seu nome tornaram pública a intenção de as vender. Em causa está o fim do protocolo assinado pelos herdeiros do galerista e colecionador Jorge de Brito com o anterior Governo a 9 de agosto de 2011 e que expirou a 31 de dezembro de 2015. O ministro da Cultura, João Soares, já entrou em negociações com a família e espera chegar a bom porto. “João Soares está a negociar com os proprietários e espera ter uma solução em tempo razoável”, diz fonte oficial do Ministério da Cultura.

“O nosso interesse é que se chegue a uma solução obtida preferencialmente por acordo”, continua. O Expresso sabe que há uma abertura por parte dos herdeiros de Jorge de Brito. “Eles reconhecem que seria bom que as obras ficassem no Museu Arpad Szènes-Vieira da Silva. Mas nunca haverá acordo sem uma componente financeira”, garante fonte ligada às negociações. Contudo, ao que apurámos, as questões financeiras ainda não foram abordadas nas negociações.

Em 2011, das 26 obras que existiam no museu pertencentes aos Britos, o ex-secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, só conseguiu segurar seis. As outras vinte seguiram para Paris, onde foram vendidas em leilão por valores que oscilaram entre os €800 mil e o €1,5 milhões. Se a solução encontrada tiver de ser a compra das obras, o Estado terá de dispor de pelo menos €6 milhões.