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Pala do Pavilhão de Portugal entre as dez melhores construções do mundo em betão

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Escolha do jornal The Guardian inclui, além da obra de Siza, o Panteão de Roma, o conjunto habitacional de Le Corbusier em Marselha e La Pedrera, de Gaudi, em Barcelona

As melhores ou as mais belas? O crítico de arquitetura do jornal inglês The Guardian não quis fazer a distinção na sua escolha das dez melhores construções do mundo em betão, mas não será difícil perceber um misto das duas possibilidades numa seleção que inclui a pala desenhada por Álvaro Siza Vieira para o Pavilhão de Portugal em Lisboa.

Edifício mal amado pelos sucessivos governos portugueses, o Pavilhão continua sem um destino definido, mesmo se ao longo dos anos foram equacionadas várias hipóteses de utilização. Construído para albergar o Pavilhão de Portugal na Expo'98, devia ter sido reconvertido logo de seguida, mas isso nunca aconteceu. Transformou-se num elefante branco e agora seriam necessárias verbas muito avultadas para concluir um interior que em nada corresponde à imagem de equilíbrio e beleza proporcionadas pelo exterior.

Chegou, inclusive, a ser admitida a hipótese de lá colocar a sede do governo, e acabou a ser entregue ao estado pela comissão liquidatária da Parque Expo para pagamento de uma dívida. Confrontado com estas vicissitudes, Álvaro Siza Vieira deixou há muito de querer saber o que se passa com o Pavilhão, até por uma questão de proteção e defesa da sua saúde, como chegou a afirmar.

A escolha de Rowan Moore, subjetiva como tantas outras, abre com o Panteão, de Roma, possivelmente da autoria de Apollodorus de Damasco e data do ano 126 antes da nossa era. Claro que na época não estava ainda descoberto o cimento armado, mas, sublinha Rowan, já havia algo parecido com o cimento e foi conseguido para obter um efeito de tal ordem surpreendente que ainda ninguém terá conseguido fazer algo de similar.

Segue-se o conjunto habitacional de Marselha, de Le Corbusier e datado de 1952. Ali, o betão foi usado como meio de traduzir o fascínio de Le Corbusier “pelos aviões e pelas máquinas modernas, bem como pelas paisagens e templos antigos”.

A lista inclui ainda o restaurante “Los Manantiales”, de 1958, na cidade do México e com assinatura de Félix Candela, o Banco de Londres e América do Sul, de 1966, em Buenos Aires, de Clorindo Testa, a igreja de Saint-Jean-de-Montmartre, Paris, datada de 1904 e assinada por Anatole de Baudot, as torres desportivas SESC Pompéia, em S. Paulo, de 1986 e concebidas por Lina Bo bardi, a biblioteca da escola técnica Eberswalde, na Alemanha, de 1999 e com assinatura de Herzog & de Meuron, a célebre La Pedrera, de Gaudi, em Barcelona, datada de 1910 e o interior da Casa Poli, em Coliumo, Chile, de 2005 e assinada por Pezo von Ellrichshausen.

Numa confirmação das fragilidades inerentes a este tipo de escolhas, Rowan Moon, ao apresentar a décima escolha, a casa no Chile construída num promontório com dificuldades de acesso, pede desculpa a arquitetos tão fundamentais como Tadao Ando, Denys Lasdun, Robert Maillart, Oscar Niemeyer, Zaha Hadid, Rachel Whiteread, Pier Luigi nervi, Marcel Breueer, Frank Lloyd Wright e Sverre Fehn, todos vistos como “mágicos do betão” que mereceriam um lugar neste “top 10”, mas acabam por ficar arredados de uma lista suscetível, ela própria de gerar muitas outras escolhas.