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(#1) Queremos fazer muito com muito pouco: Beach House, “Depression Cherry”

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"Depression Cherry", dos Beach House: ainda só nos chegou uma canção, mas suspeitamos que isto será grande, muito grande

“Depression Cherry”, o penúltimo dos Beach House (o último, “Thank Your Lucky Stars” consta também desta lista dos melhores álbuns de 2015, mas num dos lugares mais abaixo) mantém a inocência e a candura do início enquanto abre espaço para novas abordagens. “Tentamos transformar dois instrumentos numa orquestra.” Acabamos neste primeiro dia de 2016 o que iniciámos na semana de Natal e continuámos na de ano novo: escrevemos sobre 10 discos que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

Helena Bento

Jornalista

Alex Scally dizia numa entrevista que os Beach House (ou seja, ele e Victoria Legrand, ele nascido em Baltimore, nos EUA, ela em Paris) queriam fazer o mesmo que os Beach Boys, mas com muito pouco. "Não somos tão bons como os Beach Boys, mas do 'Surfin' Safari' para o 'Pet Sounds' as canções deles ficam muito maiores. E nós queremos fazer o mesmo, só que queremos fazer muito com muito pouco. Tentamos transformar dois instrumentos numa orquestra". A entrevista é de 2010, ano em que os Beach House lançaram o álbum "Teen Dream". Passaram cinco anos desde então, mas é dessas palavras que nos lembramos quando ouvimos "Depression Cherry", o mais recente disco da dupla de Baltimore. Há uma simplicidade incandescente em cada canção, um fogo brando e agradável que nos aquece o corpo e não nos faz querer outra coisa senão estar ali. Ao fim de nove anos e cinco álbuns (seis, se contarmos com "Thank Your Lucky Stars", lançado de surpresa cerca de dois meses depois de "Depression Cherry"), os Beach House mantêm a inocência e a candura do início; a naturalidade e espontaneidade que sempre disseram não querer perder.

Apesar disso, "Depression Cherry" soa a uma coisa nova, acabadinha de nascer, única. O ambiente de sonho e nostalgia e a intensidade são os mesmos de sempre, a voz de Victoria também, tão límpida quanto arrastada, mas foram introduzidos pequenos elementos e variações que levam a crer que estamos perante um álbum diferente dos anteriores. Em "PPP", Victoria Legrand alterna entre melodia e momentos de "spoken-word, e em "Days of Candy", essa última faixa do álbum que começa contida e depois termina de uma forma arrebatadora mas muito elegante, há um coro de jovens a cantar; as guitarras estão mais distorcidas do que nunca e o single, "Sparks", acaba por ser uma carta fora do baralho, tão próximo que está do shoegaze.

  • (#10) Canções para eliminar resíduos: Mount Eerie, “Sauna”

    Phil Elverum decidiu mudar de vida depois de quatro meses na Noruega a viver sozinho numa cabana. Foi o melhor que nos aconteceu, a nós que lhe apreciamos as canções - e ele deu-nos novas este ano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#9) Houve qualquer coisa neste disco: Beach House, “Thank Your Lucky Stars”

    Apanharam-nos desprevenidos: dois meses depois de terem lançado um disco deram-nos outro. Foram gravados ao mesmo momento mas escritos em alturas diferentes. Houve quem dissesse que o primeiro é a cabeça, a razão, a técnica, e que o segundo - que é este de que falamos - é o coração. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#8) Um disco assumidamente negro, mas não do género Radiohead: Kurt Vile, “B’lieve I'm Going Down”

    Kurt Vile é um tipo com boa pinta, de cabelos longos e solidão no corpo. É um fenómeno deste tempo e deste ano - tem daqueles álbuns que quase toda a gente celebrou em 2015. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#7) Maravilhosamente diretas e descaradas como sempre: Pega Monstro, “Alfarroba”

    Rock cru e sujo, letras tão diretas quanto descaradas, uma energia que toma conta do corpo. “Alfarroba”, o segundo álbum das portuguesas Pega Monstro, é bom até ao tutano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#6) Ela está preocupada com coisas novas: Lower Dens, “Escape From Evil”

    “Escape From Evil” é o terceiro álbum dos norte-americanos Lower Dens e marca uma viragem na sonoridade da banda liderada por Jana Hunter. As guitarras deram lugar aos sintetizadores, o capitalismo e o progresso e as questões ambientais deram lugar ao amor, à amizade, à desilusão, ao desespero e à morte. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#5) “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”: Viet Cong

    Rock, punk, pós-punk. Eles têm um pouco de tudo isso. E têm ainda a desilusão, a impaciência e o desespero de quem perdeu recentemente alguém muito próximo e não vê senão a morte em tudo. Lançaram este ano o primeiro álbum, “Viet Cong”, depois do EP “Cassette”. “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”, ouvimos em “Pointless Experience”. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#4) Respiramos tão bem no meio disto tudo: Julia Holter, “Have You in My Wilderness”

    “Have You in My Wilderness” é o álbum mais pop de Julia Holter, mas está longe de ser uma aventura. Mantêm-se os arranjos clássicos - resultado da sua formação -, a profusão de detalhes e de vozes e de instrumentos, e o ambiente solene, que nunca chega verdadeiramente a impor-se. Respiramos tão bem no meio disto tudo. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#3) Das maiores vulgaridades aos maiores sentimentos: Courtney Barnett

    Cada canção de“Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit” é “uma pequena fotografia de um momento no tempo” onde cabe tudo, desde as maiores vulgaridades aos maiores sentimentos. Tudo importa, tudo tem valor, não há nada à sombra, tudo é vida. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#2) Nem melhor, nem pior - apenas diferente: Tame Impala, “Currents”

    “Currents”, o último dos Tame Impala, representa um corte destemido com o passado do grupo e do próprio Kevin Parker. É um álbum assumidamente pop, que fala sobre o fim de uma relação e a chegada de um novo tempo - nem melhor, nem pior, “apenas diferente”. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções