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(#2) Nem melhor, nem pior - apenas diferente: Tame Impala, “Currents”

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“Currents”, o último dos Tame Impala, representa um corte destemido com o passado do grupo e do próprio Kevin Parker. É um álbum assumidamente pop, que fala sobre o fim de uma relação e a chegada de um novo tempo - nem melhor, nem pior, “apenas diferente”. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

Helena Bento

Jornalista

O novo álbum dos Tame Impala, "Currents", dividiu as águas e parece ter deixado a crítica um nadinha insatisfeita. Muitos não gostaram que o australiano Kevin Parker tivesse renunciado às guitarras e ao rock psicadélico e se tivesse apropriado mais dos sintetizadores para fazer um disco que vai beber à pop eletrónica dos anos 80. “Apercebi-me que nunca ouvi os Tame Impala numa pista de dança”, dizia Kevin Parker numa entrevista recente. Foi dessa constatação que nasceu "Currents", um disco que quer, portanto, pôr as pessoas a dançar, sem rodeios ou subterfúgios, muito direto, com canções e letras que apontam diretamente ao coração. Sobre as críticas de que se rendeu às massas e fez um álbum bem inferior aos anteriores "Innerspeaker" (2010) e "Lonerism" (2012), há uma frase de Kevin Parker que poderia ser usada como resposta a isso: "Se eu pudesse ter tido mais canções pop convencionais neste álbum, teria", disse em entrevista à revista "Pitchfork".

Gravado, produzido e misturado inteiramente pelo músico de 29 anos na solidão da sua casa, na cidade australiana de Perth, "Currents" representa, portanto, um corte radical com o passado dos Tame Impala e do próprio Kevin Parker. É um álbum que fala sobre o fim de um relação - "I know that I'll be happier, and I know you will too - eventually", ouve-se em "Eventually", quinta faixa do disco - e sobre a chegada de um novo tempo - nem melhor, nem pior, "apenas diferente".

  • (#10) Canções para eliminar resíduos: Mount Eerie, “Sauna”

    Phil Elverum decidiu mudar de vida depois de quatro meses na Noruega a viver sozinho numa cabana. Foi o melhor que nos aconteceu, a nós que lhe apreciamos as canções - e ele deu-nos novas este ano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#9) Houve qualquer coisa neste disco: Beach House, “Thank Your Lucky Stars”

    Apanharam-nos desprevenidos: dois meses depois de terem lançado um disco deram-nos outro. Foram gravados ao mesmo momento mas escritos em alturas diferentes. Houve quem dissesse que o primeiro é a cabeça, a razão, a técnica, e que o segundo - que é este de que falamos - é o coração. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#8) Um disco assumidamente negro, mas não do género Radiohead: Kurt Vile, “B’lieve I'm Going Down”

    Kurt Vile é um tipo com boa pinta, de cabelos longos e solidão no corpo. É um fenómeno deste tempo e deste ano - tem daqueles álbuns que quase toda a gente celebrou em 2015. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#7) Maravilhosamente diretas e descaradas como sempre: Pega Monstro, “Alfarroba”

    Rock cru e sujo, letras tão diretas quanto descaradas, uma energia que toma conta do corpo. “Alfarroba”, o segundo álbum das portuguesas Pega Monstro, é bom até ao tutano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#6) Ela está preocupada com coisas novas: Lower Dens, “Escape From Evil”

    “Escape From Evil” é o terceiro álbum dos norte-americanos Lower Dens e marca uma viragem na sonoridade da banda liderada por Jana Hunter. As guitarras deram lugar aos sintetizadores, o capitalismo e o progresso e as questões ambientais deram lugar ao amor, à amizade, à desilusão, ao desespero e à morte. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#5) “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”: Viet Cong

    Rock, punk, pós-punk. Eles têm um pouco de tudo isso. E têm ainda a desilusão, a impaciência e o desespero de quem perdeu recentemente alguém muito próximo e não vê senão a morte em tudo. Lançaram este ano o primeiro álbum, “Viet Cong”, depois do EP “Cassette”. “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”, ouvimos em “Pointless Experience”. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#4) Respiramos tão bem no meio disto tudo: Julia Holter, “Have You in My Wilderness”

    “Have You in My Wilderness” é o álbum mais pop de Julia Holter, mas está longe de ser uma aventura. Mantêm-se os arranjos clássicos - resultado da sua formação -, a profusão de detalhes e de vozes e de instrumentos, e o ambiente solene, que nunca chega verdadeiramente a impor-se. Respiramos tão bem no meio disto tudo. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#3) Das maiores vulgaridades aos maiores sentimentos: Courtney Barnett

    Cada canção de“Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit” é “uma pequena fotografia de um momento no tempo” onde cabe tudo, desde as maiores vulgaridades aos maiores sentimentos. Tudo importa, tudo tem valor, não há nada à sombra, tudo é vida. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções