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Ler Vasco Graça Moura para encontrar Camões e Cesário Verde

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Para assinalar o 74.º aniversário de Vasco Graça Moura, realiza-se uma sessão, no Porto, que pretende evidenciar o diálogo entre a sua obra e a de dois dos poetas que mais o influenciaram: Camões e Cesário Verde

O que une a poesia de Luís Vaz de Camões, o autor que transformou a vontade de um povo num herói coletivo, e a obra de Cesário Verde, poeta do quotidiano? A resposta não será imediata, mas na próxima segunda-feira, 4 de janeiro, uma iniciativa que decorre na Fundação Eng. António de Almeida, no Porto, pretende demonstrar a influência dos dois poetas no espólio literário de Vasco Graça Moura.

O ato celebrativo, promovido pela Cooperativa Árvore e pela editora Modo de Ler (de José da Cruz Santos), decorre um dia após a data de nascimento do poeta, que completaria 74 anos. Em análise estará a forma como a sua obra dialoga com o cânone camoniano e com o estilo impressionista de Cesário Verde, que preferia as quadras aos sonetos.

A sessão, marcada para as 17h45, será moderada por Isabel Ponce de Leão, professora catedrática da Universidade Fernando Pessoa e investigadora do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em entrevista ao Expresso, disse ser esta “uma forma de homenagear um dos grandes poetas e intelectuais portugueses do século XX”. A iniciativa é para manter no futuro, de forma “a criar uma rotina em relação a um grande escritor”, garantiu a moderadora.

Vasco Graça Moura investigou extensivamente a obra do poeta quinhentista, sendo autor de uma adaptação d’Os Lusíadas para o público mais jovem. Já a proximidade em relação a Cesário Verde reside no realismo patente também na obra de Graça Moura, explicou Isabel Ponce de Leão.

A tertúlia contará com a presença de José Carlos Seabra Pereira, especialista em estudos camonianos e professor associado da Universidade de Coimbra, a quem se junta Maria do Carmo Mendes, docente na Universidade do Minho e especialista em literatura dos séculos XIX e XX.

Durante a sessão haverá lugar para a leitura de poemas selecionados dos três autores, de forma a colocar em evidência a intertextualidade existente. Os poemas serão ditos por Manuela de Abreu e Lima, Cuca Sarmento e Isabel Ponce de Leão.

A iniciativa contará ainda com um momento musical, a cargo da pianista Sofia Lourenço, que possui um “grande conhecimento” da obra do poeta, tradutor e ensaísta nascido na Foz do Douro, a 3 de janeiro de 1942, e falecido a 27 de abril de 2013, vítima de cancro.

Primeira edição do Prémio Vasco Graça Moura

Após o debate, serão divulgados os resultados do Prémio Vasco Graça Moura, atribuído pela primeira vez e que tem um valor de 7 500 euros para ser entregue ao vencedor. O autor selecionado, que pelo regulamento assina com um pseudónimo, terá igualmente o direito a ver a sua obra publicada numa coedição da Modo de Ler e da Afrontamento.

Isabel Ponce de Leão, que integra o coletivo de jurados, avançou que a concurso estiveram “mais de duzentas” obras poéticas inéditas, que foram também apreciadas pelos poetas Fernando Guimarães e Inês Lourenço, pelo escritor Francisco Duarte Mangas e pelo jornalista Luís Miguel Queirós.

“A poesia contemporânea está bem de saúde”, afiança a professora universitária, embora reconheça que autores como Graça Moura “apareçam apenas dois ou três num século”.

Todos os originais foram redigidos segundo o antigo acordo ortográfico, por “respeito” à posição de recusa da nova grafia que Vasco Graça Moura sempre manifestou em vida, sustentou Ponce de Leão.