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Tomou ácidos com Jimi Hendrix, prometeu morrer em digressão. E cumpriu

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ANDERS BIRCH

Tomou ácidos com Jimi Hendrix, ainda antes de fundar a banda da sua vida; foi viciado em álcool, drogas e mulheres; prometeu morrer em digressão. Cumpriu. Obituário de Lemmy Kilmister, o icónico vocalista dos Motörhead

“É assim que estou destinado a viver a minha vida: na parte de trás de um autocarro, em tour, com uma rapariga que nunca vi antes no meu colo e que se vai embora na manhã seguinte. É assim que vivo a minha vida. Assenta-me bem”.

Foi assim que Lemmy Kilmister descreveu o seu estilo de vida ao britânico “The Independent”, em 2010. Cinco anos volvidos, o mundo despede-se de Lemmy com uma certeza: ele cumpriu tudo o que disse que queria cumprir e aproveitou tudo o que a vida (que queria levar) lhe ofereceu.

Nascido em 1945 em Burslem, Inglaterra, Ian Kilmister deu os primeiros passos na indústria musical ao lado dos grandes: foi roadie de Jimi Hendrix e com ele tomou as primeiras drogas, um vício que passaria a acompanhá-lo pela vida fora. Fez parte de algumas bandas antes de fundar, com o guitarrista Larry Wallis e o baterista Lucas Fox, mais do que uma banda, a sua identidade: os Motörhead.

Com os Motörhead vendeu mais de 30 milhões de discos, encantou fãs com a sua rouquidão própria e pôs milhares a cantar a letra do clássico “Ace of Spades” de uma ponta à outra. Foram eles (uns Motörhead mudados, porque Kilmister sobreviveu a todas as formações da banda) que deram a notícia na sua página do Facebook, na madrugada desta terça-feira. Deram-na como ele gostaria que a dessem: “Ouçam Motörhead alto, ouçam Hawkwind [a primeira banda de Kilmister] alto, ouçam a música de Lemmy alto. Bebam uns copos. Partilhem histórias. Celebrem a vida deste homem maravilhoso”.

A vida de excessos - Lemmy contou ao “Telegraph” que uma vez um médico lhe disse que uma transfusão sua mataria a pessoa que a recebesse - está bem plasmada nessa publicação no Facebook, em que a banda pede a todos que deixem ali histórias e lembranças de Lenny. A internet - e com ela muitas estrelas musicais que em alguma altura se cruzaram com Lemmy - comoveu-se e respondeu.

“Tenho a certeza de que vou morrer na estrada, de uma forma ou de outra”, dizia Lemmy à revista “Kerrang”, em 2013, depois de uma operação ao coração. Lemmy sabia que era diabético e tinha problemas de coração, mas só soube há dois dias, a 26 de dezembro, que sofria de uma forma de cancro agressiva. E à sua maneira, adivinhou o destino: andava em digressão, supostamente até janeiro. O cancro atraiçoou-o. Morreu rápido, como viveu. Como quis.