Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Braga tirou da degradação 250 anos de história

  • 333

Palácio do Raio - propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Braga

Créditos: Luís Ferreira Alves

A cultura portuguesa viu esta segunda-feira rejuvenescer uma das suas obras mais antigas do barroco. O Palácio do Raio, construído em meados do século XVIII e que estava em profunda degradação, foi restituído à cidade de Braga através da Santa Casa da Misericórdia de Braga. O ex-líbris da cidade minhota acolhe agora o novo Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga, permitindo que o Palácio do Raio volte a ser um dos pontos turísticos da cidade.

“O Centro Interpretativo nasceu da necessidade de restaurar e conservar o Palácio do Raio”, afirmou fonte da Santa Casa da Misericórdia de Braga ao Expresso. O edifício barroco de variante rococó, com azulejos azuis e 11 janelas decoradas, sofreu profundas obras de reabilitação, conservação e restauro por parte da Instituição entre 2014 e 2015. Esta segunda-feira foi inaugurado na presença do ministro da Cultura, João Soares.

Através de um projeto financiado pelo ON.2 - Programa Operacional Regional do Norte -, que surgiu no âmbito do concurso PC/2/2013 e que tinha como objetivo apoiar a recuperação do património cultural, o projeto incluía a requalificação do Palácio do Raio e a instalação de um Centro Interpretativo.

Trata-se de uma nova unidade cultural, na qual o público terá acesso a um valioso espólio da Santa Casa da Misericórdia de Braga com mais de 500 anos de história, “que se encontra na sua maioria desconhecido do público em geral”, referiu fonte da Santa Casa.

Entre o diverso espólio, presente nas dez salas temáticas, é possível observar peças de arte sacra, têxtil, pintura, escultura, ourivesaria, cerâmica e documentação arquivística. No entanto, e uma vez que o edifício (já) foi marcado pela presença do Hospital de S.Marcos, há também uma sala específica com objetos da botica do hospital, que é atualmente a farmácia, onde será possível ver um “conjunto de documentos remontantes ao século XVI e às origens do hospital”, explicou a mesma fonte.

Um palácio com 250 anos de história

O Palácio do Raio foi construído entre o período de 1752 e 1755 sob o desenho arquitetado pelo bracarense André Soares. Inicialmente, o edifício serviu de habitação à família do comerciante João Duarte de Faria, o primeiro proprietário, mas, em 1853, Miguel José Raio adquiriu o palacete, acabando por lhe dar o nome.

No final do século XIX, mais precisamente em 1884, foi vendido à Santa Casa da Misericórdia de Braga. Dado que o edifício encontrava-se estrategicamente bem localizado, e conseguia responder às necessidades do setor hospitalar, passou a ser integrado como o Hospital de S. Marcos.

Devido à deslocalização do Hospital distrital para outra região, “o Hospital de S.Marcos, que estava a ser administrado pelo Estado até 1974, foi devolvido à Santa Casa num acentuado estado de degradação. Portanto, urgia uma medida interventiva por parte da Santa Casa, para que o estado da degradação não se acentuasse e ainda pudéssemos salvar o edifício”, informou fonte da Instituição. Assim sendo, a 28 de dezembro de 2012, o antigo edifício do Hospital de S.Marcos regressou às mãos da Santa Casa.

“É um edifício [Palácio do Raio] muito querido para a cidade, não só pela arquitetura, mas também pela função hospitalar que teve a partir do início do seu percurso de vida”, refere fonte da Santa Casa da Misericórdia de Braga. A criação do Centro Interpretativo tornar-se-á um novo ponto de atração turístico e cultural para os diferentes públicos e para a cidade de Braga.