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(#4) Respiramos tão bem no meio disto tudo: Julia Holter, “Have You in My Wilderness”

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“Have You in My Wilderness” é o álbum mais pop de Julia Holter, mas está longe de ser uma aventura. Mantêm-se os arranjos clássicos - resultado da sua formação -, a profusão de detalhes e de vozes e de instrumentos, e o ambiente solene, que nunca chega verdadeiramente a impor-se. Respiramos tão bem no meio disto tudo. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

Helena Bento

Jornalista

Créditos: Facebook de Julia Holter

Julia Holter ainda é um nome relativamente desconhecido, sobretudo por cá - esteve em Portugal duas vezes, em 2012, para apresentar "Ekstasis", o segundo álbum, e um ano depois, num concerto na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Mas isso poderá estar prestes a mudar. "Have You in My Wilderness", lançado em setembro deste ano, não só mereceu uma atenção extraordinária da imprensa internacional como teve a crítica a cair desavergonhadamente aos seus pés. A "Pitchfork", assim como a "Stereogum", consideraram-no um dos 50 melhores álbuns deste ano. Também por cá foi muito elogiado.

Apesar de tudo, "Have You in My Wilderness" está longe de ser uma aventura ou uma guinada rumo a paragens mais óbvias. A entrega à pop, ou "sonoridade claramente pop", como ela própria já disse, é assumida e temas como "Feel You", "Silhouette" e "Sea Calls me Home" não deixam muitas dúvidas. Apesar disso, Julia Holter continua a mover-se em águas conhecidas. Mantêm-se a profusão de detalhes e de vozes e de instrumentos, os arranjos clássicos - resultado da sua formação - e o ambiente solene, que nunca chega verdadeiramente a impor-se.

Também as referências literárias continuam a povoar as suas canções. Se "Tragedy", primeiro álbum, era inspirado na mitologia grega e em Hipólito, de Eurípedes, e se em "Ekstasis" eram feitas várias referências aos escritores Virginia Woolf e Frank O'Hara, em "How Long?" (terceira faixa de HYIMW), por exemplo, ela é Sally Bowles, personagem do livro "Goodbye to Berlin", de Christopher Isherwood.

  • (#10) Canções para eliminar resíduos: Mount Eerie, “Sauna”

    Phil Elverum decidiu mudar de vida depois de quatro meses na Noruega a viver sozinho numa cabana. Foi o melhor que nos aconteceu, a nós que lhe apreciamos as canções - e ele deu-nos novas este ano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#9) Houve qualquer coisa neste disco: Beach House, “Thank Your Lucky Stars”

    Apanharam-nos desprevenidos: dois meses depois de terem lançado um disco deram-nos outro. Foram gravados ao mesmo momento mas escritos em alturas diferentes. Houve quem dissesse que o primeiro é a cabeça, a razão, a técnica, e que o segundo - que é este de que falamos - é o coração. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#8) Um disco assumidamente negro, mas não do género Radiohead: Kurt Vile, “B’lieve I'm Going Down”

    Kurt Vile é um tipo com boa pinta, de cabelos longos e solidão no corpo. É um fenómeno deste tempo e deste ano - tem daqueles álbuns que quase toda a gente celebrou em 2015. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#7) Maravilhosamente diretas e descaradas como sempre: Pega Monstro, “Alfarroba”

    Rock cru e sujo, letras tão diretas quanto descaradas, uma energia que toma conta do corpo. “Alfarroba”, o segundo álbum das portuguesas Pega Monstro, é bom até ao tutano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#6) Ela está preocupada com coisas novas: Lower Dens, “Escape From Evil”

    “Escape From Evil” é o terceiro álbum dos norte-americanos Lower Dens e marca uma viragem na sonoridade da banda liderada por Jana Hunter. As guitarras deram lugar aos sintetizadores, o capitalismo e o progresso e as questões ambientais deram lugar ao amor, à amizade, à desilusão, ao desespero e à morte. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#5) “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”: Viet Cong

    Rock, punk, pós-punk. Eles têm um pouco de tudo isso. E têm ainda a desilusão, a impaciência e o desespero de quem perdeu recentemente alguém muito próximo e não vê senão a morte em tudo. Lançaram este ano o primeiro álbum, “Viet Cong”, depois do EP “Cassette”. “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”, ouvimos em “Pointless Experience”. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções