Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

(#5) “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”: Viet Cong

  • 333

Rock, punk, pós-punk. Eles têm um pouco de tudo isso. E têm ainda a desilusão, a impaciência e o desespero de quem perdeu recentemente alguém muito próximo e não vê senão a morte em tudo. Lançaram este ano o primeiro álbum, “Viet Cong”, depois do EP “Cassette”. “Se tivermos sorte, vamos envelhecer e morrer”, ouvimos em “Pointless Experience”. Continuamos nesta semana de ano novo o que iniciámos na de Natal: escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

Helena Bento

Jornalista

Dois dos membros dos canadianos Viet Cong faziam parte dos Women, que lançaram dois álbuns - um homónino, em 2008, e "Public Strain", em 2010 - muitíssimo aclamados pela crítica, e que terminaram em 2012 após a morte do guitarrista, Christopher Reimer, aos 26 anos, devido a um problema cardíaco. Não é por isso de estranhar que algumas letras do disco homónimo lançado este ano (primeiro LP do grupo, depois do EP "Cassette") aludam à morte, ao tempo e não escondam algum desespero, desilusão, revolta: "If we're lucky we'll get old and die", ouvimos em "Pointless Experience". Ou: "Tell me, tell it straight: What is the difference between love and hate?", em "March of Progress". Ou ainda: "When all is said and done / You'll be around until you're gone", em "Continental Shelf".

Mas a ligação aos Women e ao guitarrista do grupo termina aí. O resto são os Viet Cong a guinarem para todos os lados, sem pejo nem vergonha, com uma segurança e uma destreza incríveis, impacientes, coléricos, desrespeitando sinais e o que mais houver.

Questionado a respeito do tema "March Of Progress", numa entrevista ao "Guardian", Matt Flegel, o líder, explicou que a ideia era "confundir as expectativas das pessoas". A música abre com um som de bateria sufocante, quase demoníaco, que sai de repente, deixando entrar um pouco de ar e luz. "Quis que fosse uma cântico de guerra que depois se transformava numa canção pop. É a nossa música mais antiga e basicamente foi a partir dela que tudo isto começou. Depois de os Women terem terminado daquela forma tão brusca, precisei de uma saída, de um escape", explicou o cantor e baixista.

  • (#6) Ela está preocupada com coisas novas: Lower Dens, “Escape From Evil”

    “Escape From Evil” é o terceiro álbum dos norte-americanos Lower Dens e marca uma viragem na sonoridade da banda liderada por Jana Hunter. As guitarras deram lugar aos sintetizadores, o capitalismo e o progresso e as questões ambientais deram lugar ao amor, à amizade, à desilusão, ao desespero e à morte. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#7) Maravilhosamente diretas e descaradas como sempre: Pega Monstro, “Alfarroba”

    Rock cru e sujo, letras tão diretas quanto descaradas, uma energia que toma conta do corpo. “Alfarroba”, o segundo álbum das portuguesas Pega Monstro, é bom até ao tutano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#8) Um disco assumidamente negro, mas não do género Radiohead: Kurt Vile, “B’lieve I'm Going Down”

    Kurt Vile é um tipo com boa pinta, de cabelos longos e solidão no corpo. É um fenómeno deste tempo e deste ano - tem daqueles álbuns que quase toda a gente celebrou em 2015. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#9) Houve qualquer coisa neste disco: Beach House, “Thank Your Lucky Stars”

    Apanharam-nos desprevenidos: dois meses depois de terem lançado um disco deram-nos outro. Foram gravados ao mesmo momento mas escritos em alturas diferentes. Houve quem dissesse que o primeiro é a cabeça, a razão, a técnica, e que o segundo - que é este de que falamos - é o coração. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#10) Canções para eliminar resíduos: Mount Eerie, “Sauna”

    Phil Elverum decidiu mudar de vida depois de quatro meses na Noruega a viver sozinho numa cabana. Foi o melhor que nos aconteceu, a nós que lhe apreciamos as canções - e ele deu-nos novas este ano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos