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(#6) Ela está preocupada com coisas novas: Lower Dens, “Escape From Evil”

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Créditos: Conta do Facebook dos Lower Dens

“Escape From Evil” é o terceiro álbum dos norte-americanos Lower Dens e marca uma viragem na sonoridade da banda liderada por Jana Hunter. As guitarras deram lugar aos sintetizadores, o capitalismo e o progresso e as questões ambientais deram lugar ao amor, à amizade, à desilusão, ao desespero e à morte. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

Helena Bento

Jornalista

Já lá vão uns anos desde que Jana Hunter, líder dos norte-americanos Lower Dens, decidiu, em conjunto com os restantes membros da banda, traçar uma espécie de linha invisível que atravessaria quatro dos álbuns que viessem a lançar. Mas porquê quatro? Jana Hunter explicou numa entrevista recente: é que algumas das suas bandas favoritas fizeram quatro álbuns e depois acabaram - ou porque estavam a tornar-se demasiado comerciais, ou porque a vontade de fazer música que valesse realmente a pena já não era a mesma.

Olhando para o percurso dos Lower Dens, que existem desde 2010, tanto uma como outra hipótese parecem-nos altamente remotas. Pelo menos por enquanto. "Escape From Evil", terceiro álbum da banda, lançado no início deste ano, representa um viragem absolutamente ousada em relação aos dois álbuns anteriores: "Twin-Hand Movement", de 2010, e "Nootropics", 2012. Uma viragem na sonoridade e também nas preocupações de Jana Hunter, que, como se há de ver, tem uma catrefada delas.

A profusão de sintetizadores impõe-se às guitarras, e Jana está agora mais preocupada com o amor, a amizade, o desespero, a desilusão e a morte do que com os perigos da tecnologia, o capitalismo, o progresso e o ambiente e outras questões relacionadas com o estado da arte do mundo. É isso que ela tem dito nas entrevistas, exatamente assim, clarinho como água. O tema de abertura, "Sucker's Sangri-La", explica logo ao que vem: "Child / This is not what you've been waiting for / The fooled you". Apesar disso (ou precisamente por causa disso), "Escape from Evil" é um álbum que celebra a vida, como disse em tempos Jana Hunter, e que a celebra como ela é, pequena e mundana.

  • (#10) Canções para eliminar resíduos: Mount Eerie, “Sauna”

    Phil Elverum decidiu mudar de vida depois de quatro meses na Noruega a viver sozinho numa cabana. Foi o melhor que nos aconteceu, a nós que lhe apreciamos as canções - e ele deu-nos novas este ano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#9) Houve qualquer coisa neste disco: Beach House, “Thank Your Lucky Stars”

    Apanharam-nos desprevenidos: dois meses depois de terem lançado um disco deram-nos outro. Foram gravados ao mesmo momento mas escritos em alturas diferentes. Houve quem dissesse que o primeiro é a cabeça, a razão, a técnica, e que o segundo - que é este de que falamos - é o coração. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#8) Um disco assumidamente negro, mas não do género Radiohead: Kurt Vile, “B’lieve I'm Going Down”

    Kurt Vile é um tipo com boa pinta, de cabelos longos e solidão no corpo. É um fenómeno deste tempo e deste ano - tem daqueles álbuns que quase toda a gente celebrou em 2015. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

  • (#7) Maravilhosamente diretas e descaradas como sempre: Pega Monstro, “Alfarroba”

    Rock cru e sujo, letras tão diretas quanto descaradas, uma energia que toma conta do corpo. “Alfarroba”, o segundo álbum das portuguesas Pega Monstro, é bom até ao tutano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções