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(#2) Uma família ainda mais moderna: os Pfefferman de "Transparent"

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Esta é uma série que nos abre os olhos e nos prepara para um mundo melhor (sem preconceitos de uns e medos de outros). "Transparent" é assim, uma lição de vida em duas temporadas — mas com muito humor à mistura. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre as séries que mexeram com 2015 e as que vão abanar com 2016

Começamos o #2 das melhores séries do ano com uma nota: esta comédia dramática quase ficou em primeiro. A escolha foi difícil e "Transparent" andou a subir e a descer na tabela até muito perto do fecho da edição da E dedicada ao balanço da cultura em 2015. Ficou assim, mas às vezes — especialmente às quintas-feiras, quando a história de Maura passa no TVSéries — ainda apetece voltar atrás no tempo. Vamos então ao que interessa.

Morton Pfefferman viveu numa luta constante consigo próprio e tudo aconteceu nas profundezas da alma até que o segredo se tornou demasiado grande para que pudesse ser aguentado. O divórcio de Shelly (Judith Light) havia acontecido há muito e Morton (Jeffrey Tambor) decidiu assumir-se. Tomou coragem e disse à família quem é e quem será daí para a frente. Era tempo de passarem a chamar-lhe Maura. Sim, o pai sentia-se mulher há muitos anos e Morton (a sua identidade masculina) estava morta.

Se na primeira temporada se mostrou a forma como se deve lidar com uma realidade como esta, a segunda apresenta também os dilemas morais dos três filhos — que já não andavam bem consigo mesmos nos primeiros capítulos —. Maura continua no centro de tudo e continua a aprender mais sobre si. Mudar quem se é (ou assumir quem sempre se foi) não é fácil, mas ela está cá para lutar.

O tema da série continua a ser tabu em grande parte dos setores da sociedade e talvez grande parte do segredo para o sucesso esteja na sua criadora. Jill Soloway, que já foi consultora de produção em "Anatomia de Grey" e produtora executiva de "Sete Palmos de Terra", é a pessoa que traça os destinos dos Pfefferman e os transporta para o ecrã, mas há algo de diferente nesta mulher. A sua sensibilidade para as questões da transexualidade e da transparentalidade era evidente e Soloway acabou por abrir o jogo (já há algum tempo, isto não é novidade). A história de Morton/Maura é baseada na história verídica da argumentista, cujo pai passou pelo mesmo processo.

"Transparent" é uma homenagem ao seu moppa (junção de mommy e papa) e já foi renovada para uma terceira temporada. Se precisar de

  • (#3) “Mr. Robot”: Que se lixe a sociedade

    Elliot Alderson sabe de programação como ninguém, mas tem contra si as fracas capacidades sociais. É entre a luz e a sombra, ou o mal e o bem (exatamente por esta ordem), que tudo acontece em “Mr.Robot”. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre as séries que mexeram com 2015 e as que vão abanar com 2016

  • (#5) O homem que só sabe seis coisas: “Wayward Pines”, a série que ia ter uma única temporada

    “Ethan Burke acorda sem saber onde se encontra. Só sabe seis coisas: o nome do atual Presidente dos Estados Unidos, a aparência do rosto da mãe, que é capaz de tocar piano e de pilotar helicópteros, que tem 37 anos e que precisa de encontrar um hospital tão rápido quanto possível.” A trama abre assim e esta premissa virou fenómeno - e uma série de temporada única viu-se forçada a quebrar a própria regra. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre as séries que mexeram com 2015 e as que vão abanar com 2016