Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

(#8) Um disco assumidamente negro, mas não do género Radiohead: Kurt Vile, “B’lieve I'm Going Down”

  • 333

Kurt Vile é um tipo com boa pinta, de cabelos longos e solidão no corpo. É um fenómeno deste tempo e deste ano - tem daqueles álbuns que quase toda a gente celebrou em 2015. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 discos que fizeram deste ano um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá canções

Helena Bento

Jornalista

Há uma canção em que Kurt Vile diz que perdeu a cabeça algures, mas que não quer falar sobre isso, talvez queira apenas cantar sobre isso. Essa canção chama-se "Lost My Head" e faz parte do seu álbum mais recente, lançado este ano. "B'lieve I'm Going Down", gravado num estúdio no sudeste da Califórnia, é um disco assumidamente negro, "não do tipo Radiohead ou 'mulheres e crianças primeiro'", lembrando desastres e tragédias de grande escala, mas "melancólico", disse o músico entrevistado por Kim Gordon (Sonic Youth) para a "Dazed Magazine".

Mais tarde, noutra entrevista, haveria de descrevê-lo como "um álbum da noite, escrito nas horas solitárias, depois de a mulher e as duas filhas terem ido dormir". Os primeiros três versos da "I'm An Outlaw", segunda faixa do disco, denunciam essa solidão - "sou um marginal à beira de uma implosão, sozinho numa esquina no meio de uma multidão". Apesar de ser tão melancólico e íntimo quantos os discos anteriores, "B'lieve I'm Going Down" é diferente, é outra coisa, muito por causa do protagonismo que é dado ao piano, e, de certa forma, embora isso não seja tão notório, também ao banjo, deixando a guitarra um pouco para segundo plano, como o próprio músico explicou. Kurt Vile foi um dos fundadores dos americanos War on Drugs, em 2005, mas abandonaria a banda anos depois para iniciar uma carreira a solo.

  • (#9) Houve qualquer coisa neste disco: Beach House, “Thank Your Lucky Stars”

    Apanharam-nos desprevenidos: dois meses depois de terem lançado um disco deram-nos outro. Foram gravados ao mesmo momento mas escritos em alturas diferentes. Houve quem dissesse que o primeiro é a cabeça, a razão, a técnica, e que o segundo - que é este de que falamos - é o coração. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos

  • (#10) Canções para eliminar resíduos: Mount Eerie, “Sauna”

    Phil Elverum decidiu mudar de vida depois de quatro meses na Noruega a viver sozinho numa cabana. Foi o melhor que nos aconteceu, a nós que lhe apreciamos as canções - e ele deu-nos novas este ano. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre 10 álbuns que fizeram de 2015 um acontecimento melhor - é uma espécie de ranking, mas é sobretudo uma espécie de homenagem a quem nos dá discos