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(#4) A série que nos ensina a idade adulta: “Master of None”, com um ator que faz de ator

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K.C. Bailey/Netflix

A série pode ter passado despercebida no meio de tantas produções, mas garantimos: é mesmo uma das melhores do ano. Em “Master of None”, Aziz Ansari ensina-nos a viver e a entrar (melhor) na idade adulta. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre as séries que mexeram com 2015 e as que vão abanar com 2016

Dev “é uma versão minha de há alguns anos, mas é um pouco mais confuso do que eu”. As palavras são mesmo do criador, Aziz Ansari, que trouxe Dev para o Netflix e transformou um género nem sempre bem visto num programa de sucesso. “Master of None” é uma das melhores comédias do ano e vale a pena usar cinco horas da vida (são 10 episódios de 30 minutos) para passar a conhecê-la. Se em Portugal pode ter passado despercebida, a crítica internacional não pára de lhe tecer elogios (e o Expresso também gostou).

A transição para a vida adulta, os dilemas do dia-a-dia e a procura do lugar de cada um no mundo estão no centro da trama, mas não vale a pena pensarmos que se trata de um registo biográfico puro, sem outras vertentes para explorar. Aos 30 anos, Dev não espera ter mais do que qualquer outra pessoa. É o ambiente que o consome e as injustiças que o perseguem.

K.C. Bailey/Netflix

A melhor forma de descrever Dev seria partir da sua sistemática inadaptação face ao que o rodeia. É ator, mas não é milionário. É cidadão norte-americano, mas não é branco. É de origem indiana, mas a sua família nada tem que ver com as tradicionais (ou com estereótipos criados à volta destas). A vida de Dev não é fácil, mas também não é das mais difíceis, convenhamos. Passemos à ação, sem querer estragar a piada às cenas mais caricatas.

Entre os momentos mais engraçados estão as recusas de papéis depois de castings (aparentemente) bem-sucedidos e os jantares com a família em que se descobre sempre um pouco mais sobre o passado. Quem nunca foi a um jantar que à partida seria uma seca e que se transformou numa boa surpresa? Pois, toda a gente. Aziz Ansari pega em histórias comuns e transporta-as para a cena.

Apesar dos episódios curtos e de se tratar de uma comédia, “Master of None” difere bastante das mais convencionais. O ambiente é muito diferente. Tudo é filmado como se tratasse de uma curta-metragem e, apesar de existir um fio condutor, os episódios são autónomos. Parece que estamos perante um espetáculo de stand up comedy, mas com a cidade de Nova Iorque como cenário. Escrito parece complexo, mas visto é muito mais simples.

Nesta equipa de produção a colaboração é tudo e até o elenco (composto também por Eric Wareheim, Noël Wells e Lena Waithe) foi chamado a construir os diálogos. Não há medo de o admitir e durante a produção Yang explicou que há até “vários personagens baseados em amigos”.

MAIS DE AZIZ

Para os fãs de Aziz Ansari, o Netflix tem ainda dois outros presentes antecipados: “Aziz Ansari: Buried Alive” e “Aziz Ansari: Live at Madison Square Garden”. É stand-up comedy da boa para aquecer as duas noites que antecedem o Natal. Quanto a “Master of None”, talvez ainda regresse para uma segunda temporada (embora ainda não haja qualquer confirmação nesse sentido) e o melhor é aproveitar bem os 10 episódios para refletir sobre quem se é e quem se quer ser.

  • (#5) O homem que só sabe seis coisas: “Wayward Pines”, a série que ia ter uma única temporada

    “Ethan Burke acorda sem saber onde se encontra. Só sabe seis coisas: o nome do atual Presidente dos Estados Unidos, a aparência do rosto da mãe, que é capaz de tocar piano e de pilotar helicópteros, que tem 37 anos e que precisa de encontrar um hospital tão rápido quanto possível.” A trama abre assim e esta premissa virou fenómeno - e uma série de temporada única viu-se forçada a quebrar a própria regra. Nesta semana de Natal e depois na de ano novo, escrevemos sobre as séries que mexeram com 2015 e as que vão abanar com 2016