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Espetáculo de dança para “semear uma família” e “cultivar amigos”

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Rui Duarte Silva

A peça “Uma Família é uma Família” é a mais recente produção da coreógrafa Joana Providência, com a qual apresenta um conceito de família mais alargado

André M. Correia

“Cada família tem uma história para contar” e “cada história tem uma família de histórias para contar”. É este o mote para a peça “Uma Família é uma Família”, encenada por Joana Providência, com texto de Eugénio Roda, que a partir de domingo sobre ao palco do Palácio do Bolhão, no Porto.

Em declarações aos jornalistas, a coreógrafa explicou que neste espetáculo “cabem todas as famílias”, mas principalmente as “novas famílias mais alargadas”, onde surgem meios-irmãos, madrastas e também os amigos. “O modelo de família tradicional já não cabe nos nossos dias”, considera.

Joana Providência, que desde 2002 integra a direção artística da Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE)/ Teatro do Bolhão, sublinhou que ao longo da peça fica espelhada “a ternura e os laços que ligam as pessoas” de uma família. “Às vezes não cultivamos a amizade, não semeamos a família”, lembra a encenadora, para depois concluir que “essa família também pode ser feita dos amigos que temos”.

Rui Duarte Silva

Num cenário minimalista, três personagens – interpretadas por Catarina Gomes, Mafalda Pinto Correia e Tiago Jácome – partilham alguns episódios familiares ao mesmo tempo que, num bailado harmonioso, desfiam novelos de lã e criam teias que ora os aproximam, ora os afastam. “O tricot e o crochet são algo que pertence muito à família e é essa ligação mais doméstica, mais íntima que se tenta trazer”, desvendou Joana Providência.

A propósito do texto de Eugénio Roda, autor de literatura infanto-juvenil, Joana justifica a escolha com as “imagens bastante poéticas”. A música tem a particularidade de ser tocada ao vivo nesta peça e fica a cargo de Tiago Oliveira e Sofia Nereida Pinto, que também entram em palco e se juntam aos protagonistas.

Antes de se apresentar no palco do Palácio do Bolhão, esta produção da ACE / Teatro do Bolhão esteve a 11 de dezembro no Teatro Maria de Matos, em Lisboa. Agora o espetáculo regressa ao Porto, cidade onde foi concebido, e apresenta-se a partir de domingo, pelas 16h, no Palácio do Bolhão.

Nos dias 21, 22 e 23 há sessões pensadas para grupos escolares, às 10h30 e às 15h.

Rui Duarte Silva