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Guerra dos festivais: Alive vai à frente

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FESTIVAIS, os grandes trunfos ainda não foram jogados

Miguel Cadete

Miguel Cadete

Diretor-Adjunto

Quando, há duas semanas atrás, foram anunciados dois concertos de Adele em Portugal ficou claro que existia uma guerra entre as principais promotoras de festivais a operar em Portugal. Como se sabe, os espectáculos da cantora que mais discos vende por estes dias, nem fazem parte do cartaz de qualquer festival: estão marcados para a Meo Arena, a 21 e 22 de maio, e são em nome próprio. Contudo, essa foi uma forma de a Everything Is New desviar um artista que seria óbvio no cartaz do Rock in Rio.

Esses sinais tornaram-se visíveis não só porque uma das datas dos espectáculos de Adele em Lisboa coincide com o primeiro fim de semana do Rock in Rio mas, sobretudo, porque o maior festival que sucede em Portugal antecipou este ano o seu calendário. Por tradição, o RiR sucedia sempre no último fim de semana de maio e no primeiro de junho. Este ano, em setembro passado, foi tornado público que, em 2016, seriam ocupados os dois últimos fins de semana de maio. Uma agenda que, verificou-se, coincidiria com as datas livres na digressão de Adele pela Europa.

As guerras entre festivais tomam várias cores e matizes e, na maior parte dos casos, desenrolam-se longe dos olhares do público. Podem estar associadas à captação de patrocinadores, ou mesmo do espaço em que o evento tem lugar. A maiores e mais espectaculares batalhas têm contudo lugar na contratação dos artistas, até porque esse é o elemento chave para a conquista do público e dos parceiros adequados.

Desse ponto de vista, a Everything Is New vai, nesta temporada, bastante à frente. Não só porque já apresentou mais nomes para o festival NOS Alive mas sobretudo porque tem vindo a contratar muitos artistas que vestiriam que nem uma luva no cartaz de outros eventos. Para a edição de 2016, o Alive tem confirmados até à alturas os nomes dos Pixies, Foals, Father John Misty, José Gonzalez e M83. Ainda nenhum peso-pesado capaz de vender muitos bilhetes antes do Natal. Mas sobram rumores rumores sobre a passagem da digressão dos Pearl Jam por aquele festival.

Por seu lado, o Rock in Rio está longe de revelar a capacidade de jogar trunfos na edição do ano que vem tal como tinha feito até aqui. Até hoje, foram anunciados os Queen (com Adam Lambert em substituição de Freddie Mercury) e os Hollywood Vampires, um supergrupo de que fazem parte Alice Cooper e Johnny Depp entre outros maduros da cena rock de Los Angeles. Até se pode consentir que há um empate, nesta altura do campeonato, entre os dois maiores eventos a terem lugar em Lisboa mas...

Mas a verdade é que as coisas não podem, para já, ser vistas apenas por este prisma. Para a edição de 2016 é notório que o Rock in Rio tem sentido alguma dificuldades inéditas na contratação dos artistas lista A que são presença constante em todas as suas edições. Pelo contrário, a Everything Is New, produtora do NOS Alive, tem demonstrado um enorme poderio. Não tanto, até agora, na contratação de artistas para o Alive, mas de artistas que poderiam ser a cara do Rock in Rio e que não estão lá.

Depois do anúncio dos concertos de Adele na Meo Arena, a Everything Is New já apresentou nos últimos dias espectáculos com os Iron Maiden (que à partida surgiam como indicados para encabeçar o dia do metal do Rock in Rio) ou Justin Bieber (que seria perfeito para o dia mais familiar do evento que de dois em dois anos tem lugar no Parque da Bela Vista). Os cabedais da produtora do Alive revelaram-se ainda na contratação de Florence + the Machine, também nos últimos dias, e sobretudo de Macklemore & Ryan Lewis e Muse, já há muito anunciados. Não se trata de discutir gostos musicais, aqui basta constatar que alguns dos nomes mais fortes que em 2016 estão em digressão já foram tomados.

Nem um nem o outro festival mostraram porém todos os seus trunfos, mas o Rock in Rio para poder equilibrar a contenda terá de anunciar em breve alguns dos nomes mais apelativos do mercado pop e r&b como Taylor Swift ou Rihanna, ou mesmo do mainstream como Ed Sheeran, o que seria uma repetição do ano passado. Ainda que exista uma pressão cada vez maior para que os festivais anunciem os seus cabeças de cartaz o quanto antes, sobretudo para aproveitar o período natalício de venda de bilhetes, ainda muita água irá correr sob as pontes.