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Rui Chafes vence Prémio Pessoa

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Gonçalo Rosa da Silva

O escultor lisboeta é o vencedor, em 2015, do Prémio Pessoa. Uma obra feita a ferro e fogo mereceu o destaque do júri do prémio, que é uma iniciativa do Expresso e da Caixa Geral de Depósitos


Tem 49 anos, nasceu em Lisboa e formou-se em Escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, em 1989. Estudou ainda na Kunstakademie, em Dusseldorf, Alemanha, e é um dos artistas portugueses contemporâneos com mais destaque internacional. Mas, para Rui Chafes, o seu currículo é bem mais simples de resumir: "Sou um mero artesão dessas vozes superiores que me dizem para fazer formas que não entendo", disse numa entrevista recente ao Expresso.

Trabalha sobretudo em ferro e há três décadas que expõe regularmente, consolidando uma carreira que o levou já a representar Portugal nas Bienais de Veneza e de São Paulo e lhe justificou exposições individuais nas mais importantes instituições nacionais, como o Museu Serralves, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian ou o Museu Colecção Berardo.

A obra de Rui Chafes faz parte ainda de importantes coleções permanentes, seja no estrangeiro (S.M.A.K, Bélgica; Folkwang Museum Essen, Alemanha; Museum voor Moderne Kunst, Holanda; Esbjerg Kunstmuseum, Dinamarca; Museum Würth, Alemanha). As suas esculturas integram ainda o acervo da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu de Serralves, do Museu do Chiado ou da Caixa Geral de Depósitos.

No ano passado, o Centro de Arte Moderna abriu-lhe as portas para uma retrospetiva da sua obra, intitulada "O Peso do Paraíso". E, já este ano, Chafes organizou com Júlio Pomar a exposição "Desenhar", que cruza os trabalhos dos dois artistas nacionais e que decorre até ao próximo mês de fevereiro.

O escultor acredita na arte como trabalho para o público. "Uma obra de arte só existe quando é vista pelos outros", disse na mesma entrevista ao Expresso. Por isso, porque "uma obra de arte que não é vista, que está na gaveta, não existe", algumas das suas esculturas integram o espaço público. Entre outros locais, podem ser vistas e vividas nos jardins do Museu Gulbenkian ou nos espaços abertos do Parque das Nações. "Ao contrário de muitos artistas, digo que trabalho para os outros", conclui Rui Chafes.

O escultor lisboeta é o 29.º galardoado com o Prémio Pessoa, uma distinção que visa destacar o trabalho de uma personalidade portuguesa das áreas da Ciência, da Cultura ou das Artes. O prémio tem, este ano, o valor de 60 mil euros e é uma iniciativa conjunta do Expresso e da Caixa Geral de Depósitos.

O júri do Prémio Pessoa é constituído por Francisco Pinto Balsemão (presidente), Alvaro Nascimento (vice-presidente), António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto Moura, João Lobo Antunes, José Luis Porfírio, Maria de Sousa, Maria Manuel Mota, Mário Soares, Miguel Veiga, Pedro Norton, Rui Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho Marques