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Comunicado do júri do Prémio Pessoa

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Rui Chafes “consegue o feito raro de produzir uma obra simultaneamente sem tempo e do seu tempo”, lê-se na ata da reunião do júri que, esta sexta-feira, atribuiu ao escultor o Prémio Pessoa 2015

Lucília Monteiro

Texto da ata da reunião do júri do Prémio Pessoa 2015:

“Reunido em Seteais, o Júri do Prémio Pessoa 2015, constituído por Francisco Pinto Balsemão (presidente), Álvaro Nascimento (vice-presidente), António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Maria de Sousa, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques, decidiu atribuir o Prémio Pessoa 2015 a Rui Chafes.

Nascido em Lisboa, em 1966, Rui Chafes é formado em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (1984-1989). Entre 1990 e 1992, estuda com Gerhard Merz, na Kunstakademie Düsseldorf. Durante a sua estadia na Alemanha traduziu ‘Fragmentos de Novalis’ (1992).

As suas primeiras exposições, em 1986 e 1987, são marcadas pela criação de instalações com materiais precários, que, de pronto, foram substituídos por ferro pintado de preto; um meio mais eficaz de ocupar e desenhar o espaço, que subverte as condicionantes normais do museu e da galeria, como se viu na sua exposição ‘O Peso do Paraíso’, do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2014. Atualmente, na exposição ‘Desenhar’, no Atelier-Museu Júlio Pomar, a sua obra entra em contraponto com o desenho de Pomar, flutuando no espaço central do atelier.

Tem realizado importantes trabalhos, em colaboração com artistas de outras disciplinas, de que são exemplo ‘Comer o Coração’, com a bailarina e coreógrafa Vera Mantero, Bienal de São Paulo, 2004; ‘Fora/Out’, com o cineasta Pedro Costa, Serralves, 2005/2006.

A sua obra tem sido editada em sucessivos volumes: ‘Würzburg Bolton Landing’, com peças de 1987 e 94; ‘Harmonia’, esculturas de 1995 a 98; ‘Durante o Fim’ para a antalógica realizada em Sintra, no Parque da Pena e no Museu da Coleção Berardo, 2000; e ‘Um Sopro’, de 1998 a 2002. ‘Entre o Céu e a Terra (A história da minha vida)’, 2012, é, fundamentalmente, um mergulho nas suas próprias raízes, que vai até ao coração da Idade Média, 1266.

Rui Chafes consegue o feito raro de produzir uma obra simultaneamente sem tempo e do seu tempo”, assim termina a ata da reunião do júri.