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Filme de Zhao Liang é o grande vencedor do festival Porto/Post/Doc

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A estreia mundial de “Behemoth” aconteceu no festival de cinema de Veneza

“Behemoth”, do realizador Zhao Liang, retrata de forma poética e aterradora os confins da China contemporânea e conquistou o júri da 2ª edição do festival Porto/Post/Doc

O documentário “Behemoth”, do realizador chinês Zhao Liang, foi distinguido segunda-feira com o Grande Prémio Porto/Post/Doc e arrecadou igualmente o ‘Prémio Teenage’. O sul-africano Teboho Edkins, autor de “Coming of Age”, foi galardoado com o Prémio Biberstein Gusmão, para autores até 35 anos.

Neste trabalho de Zhao Liang somos levados até aos confins da China contemporânea, onde as montanhas estão a ser destruídas para a produção de aço. “Behemoth” é um filme “ poético e aterrador”, parecendo entrar por vezes no universo da ficção científica, constituindo “uma espécie de distopia com os seus zombies e cidades desertas”, classifica a organização do festival.

O documentário arrecadou o principal prémio, atribuído por um júri constituído pelos produtores Beli Martinez e Sandro Florin, pela programadora Cíntia Gil, pela jornalista Carmen Gray e pela fotógrafa Inês d’Orey. O trabalho do cineasta chinês foi também o escolhido por um grupo de treze alunos de diversas escolas secundárias da cidade do Porto.

BEHEMOTH (2015) by Zhao Liang [excerpt] from Richard Lormand on Vimeo.

Contemplada com uma menção honrosa foi a realizadora grega Evangelia Kranioti pelo seu documentário “Exotica, Erotica”. O filme retrata a relação entre marinheiros e prostitutas, num trabalho caracterizado por “ondas e marés, turbulentas mas rotineiras, quase como se fossem rituais”, segundo a informação disponibilizada pela organização.

O sul-africano Teboho Edkins, com o documentário “Coming of Age”, venceu na categoria para autores até 35 anos. Neste trabalho o cineasta acompanhou “a vida de dois irmãos e duas amigas nas inóspitas montanhas do Lesoto”, sendo os protagonistas “confrontados com a entrada na idade adulta numa sociedade onde a tradição, o dever e a obstinação têm um peso preponderante”, lê-se na sinopse.

O melhor do cinema documental contemporâneo do último ano

Durante uma semana, estiveram em competição doze obras, numa seleção que teve como objetivo mostrar o melhor do cinema documental contemporâneo do último ano. Ao longo do festival foram exibidos 59 filmes, dos quais 44 constituíram estreias nacionais e 11 foram estreias internacionais.

A juntar a isto, a segunda edição do Porto/Post/Doc, que passou pelo Rivoli, Teatro Passos Manuel e pelo espaço cultural Maus Hábitos, serviu também para homenagear três cineastas que “transformaram o documentário”: Lionel Rogosin, Thom Andersen e Chantal Akerman.

Durante a tarde de hoje, último dia do cartaz, é exibido o documentário “Come Back Africa”, de Lionel Rogosin, às 16h30 no Passos Manuel. Às 18h30 as portas do Rivoli abrem-se para “La fiesta de Otros”, uma obra que traça um “retrato afetuoso” sobre “La Orquestra Trotamundos”.

À noite, pelas 22h15, chega ao Passos Manuel um dos momentos mais esperados com a exibição do documentário “Keith Richards: Under the influence”, sobre um dos membros fundadores da banda The Rolling Stones. No final da sessão, o Porto/Post/Doc encerra com música e alguns convidados surpresa do programador do festival, Sérgio Gomes.