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Como fazer 40 milhões de euros em 76 dias

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Miguel Cadete

Miguel Cadete

Diretor-Adjunto

O mercado está ao rubro. Em 2016, Portugal terá concertos como nunca. Vamos fazer contas?

A retoma em Portugal pode não estar a ser o que todos gostaríamos. O PIB pode não crescer a um ritmo diabólico e o desemprego não está a cair para valores residuais. Mas há luzes que se acendem: a indústria portuguesa da música ao vivo continua a desafiar o que se passa nos países da Europa mais desenvolvida. Quando ainda faltam mais de três semanas para acabar 2015, já se pode ter uma ideia do que aí vem. E o que se aproxima é um ano de concertos como, muito provavelmente, nunca aconteceu em Portugal.

Tendo em conta o que por estes dias já está agendado, só é possível concluir que o panorama é animador. Mas haverá mercado para todos? Ora vejam: entre 2 de maio e 16 de julho já está confirmada a vinda a Lisboa de quatro dos maiores nomes da música da atualidade, aos quais se junta a realização de outros quatro grandes festivais. São 76 dias em que se venderão 750 mil bilhetes para concertos e se faturarão cerca de 40 milhões de euros. Façam as contas: os Muse (2 e 3 de maio), Adele (21 e 22 de maio), U2 (primeira semana de julho) e Iron Maiden (11 de julho) vão atuar na Meo Arena. Os primeiros têm duas datas confirmadas e os U2 farão, pelo menos, outros dois concertos. Ao todo são, no mínimo, sete concertos com lotação previsivelmente esgotada. Pelo menos 126 mil almas irão assistir a concertos no grande pavilhão do Parque das Nações entre maio e julho.

Durante esse mesmo período de tempo, estão agendados quatro grandes festivais: Rock in Rio (20, 21, 26, 27 e 28 de maio), NOS Primavera Sound (de 9 a 11 de julho), NOS Alive (de 7 a 9 de julho) e Super Bock Super Rock (de 14 a 16 de julho). Ao todo, e contando que se repitam os números da última edição de cada um deles, representarão mais de 630 mil espectadores. A fatia de leão vai para o Rock in Rio Lisboa, que em 2014 levou, de acordo com os números adiantados pela produção, 345 mil espectadores ao Parque da Bela Vista. Segue-se o NOS Alive em Algés com 155 mil, NOS Primavera Sound no Parque da Cidade do Porto com 77 mil e Super Bock Super Rock no Parque das Nações com 55 mil.

Os números não deixam de impressionar. Sobretudo quando a indústria discográfica ainda não se refez de uma recessão que dura há década e meia. Se cada vez se vendem menos discos, ainda que o número de utilizadores das plataformas de streaming esteja em franco crescimento, a música ao vivo permanece imparável. É o que se pode concluir pelo número de espectadores mas também pelo preço dos bilhetes, que iniciaram uma tendência altista nos maiores eventos. Em 2014, cada ingresso para o Rock in Rio custava €61, exceção feita ao dia em que atuaram os Rolling Stones (€69). Para a edição do próximo ano, esse valor sobe para €70. Os passes para o NOS Alive custava, no ano passado €109, mas este ano os fã-packs estão à venda por €120. No Super Bock Super Rock e no NOS Primavera Sound os preços foram contudo marcados em baixa (€81 e €91, respetivamente).

Se quiséssemos estimar a faturação destes eventos de acordo com o número de público presente adiantado pela produção e o preço destes bilhetes, passes e packs, seria possível dizer que estes quatro festivais representam uma receita superior a 50 milhões de euros.

Sem contar a existência de convites, o Rock in Rio representaria 24,8 milhões de euros, o NOS Alive andaria pelo 6,2 milhões, NOS Primavera Sound chegaria aos 2,3 milhões e o Super Bock Super Rock ultrapassa os 1,4 milhões de euros. A este valores devemos ainda somar as receitas previsíveis dos grandes concertos que irão acontecer na Meo Arena. Caso as lotação estejam lotadas, o que é praticamente um dado adquirido, os Muse vão gerar uma faturação superior a 1,5 milhões de euros, usando o para esta estimativa o custo do bilhete para a plateia, €42. No caso de Adele, esse valor sobe para €55 e assim sendo é possível estimar uma faturação à volta de 2 milhões de euros. É razoável, apesar de ainda não estar definido o número de datas nem o valor dos bilhetes, que dois concertos dos U2 ultrapassem os dois milhões de euros. Os Iron Maiden, que só fazem um concerto, com o ingresso para a plateia custar €49, estarão perto de gerar mais 800 mil euros.

Isso quer dizer que durante os 76 dias que vão de 2 de maio a 16 de julho, os grandes concertos que entretanto vão acontecer irão atrair mais de 770 mil espectadores, que por sua vez serão capazes de gerar uma receita superior a 60 milhões de euros.
Crise? Qual crise?!