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Sabores lusos em Edimburgo

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Os dias de futebol são de casa cheia no Tugas Amor

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

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Texto e Fotos

Um benfiquista de Lisboa entra no restaurante e senta-se para ver o seu clube jogar com o Porto. Talvez por desportivismo, pede uma francesinha. E uma mini. É um de dezenas que se acotovelam no estabelecimento. A partir do apito inicial, há comentários, interjeições e até algum vernáculo em português. Lá fora, uma tarde de sol, conquanto fresca. Mas nada de especial, tendo em conta que estamos na Escócia.

É em Dundee Street, perto do centro da capital, que fica o Tugas Amor. Abriu há ano e meio, pela mão de Jorge e Cátia Sousa, pai e filha lisboetas a quem se juntou o açoriano Hugo Sousa. Jorge já estava em terras caledónias há 12 anos e, como ele, muitos outros portugueses: 1908, segundo dados do último censo, feito em 2011. O que não havia era comida portuguesa, e isso custava mais do que a adaptação a um clima menos ameno do que o da terra natal, compensado pela hospitalidade dos escoceses.

Os três sócios já falam de expansão

Os três sócios já falam de expansão

Pedro Cordeiro

Com lugar para 30 pessoas sentadas (que em dias de futebol podem esticar), o Tugas Amor serve bacalhau assado ou com natas, francesinhas, bitoques, jaquinzinhos, em menus que ficam por 4,5 a 5 libras (6,4 a 7.,1 euros). Há a ideia de acrescentar mais pratos à lista, nomeadamente os do “fiel amigo”, que os britânicos parecem apreciar.

A comunidade lusa de Edimburgo é assídua. Os que vão entrando conhecem-se, brincam, saúdam-se. Outros apresentam-se quando a afluência os obriga a partilhar mesa. Também vêm locais. “Famílias que já fizeram férias em Portugal querem voltar a provar os nossos pratos”, diz Hugo Sousa. Como têm o hábito de jantar cedo (os primeiros entram por volta das 17h30), chega-se a servir três voltas ao fim de semana.

 Ícones portugueses enchem as paredes do restaurante

Ícones portugueses enchem as paredes do restaurante

Pedro Cordeiro

O Tugas Amor aparece em redes sociais como o Tripadvisor (dedicado à hotelaria e restauração), onde 79 avaliadores lhe dão uma média de 4,5 em 5 (os dois estabelecimentos referidos neste artigo estão ainda no Zomato, Foursquare e Facebook). Encorajados, os sócios falam em expansão, imaginando uma tasca mais virada para o frango e os petiscos. Para já, trabalham no restaurante três pessoas fixas, todas portuguesas, vindo por vezes duas outras “para desenrascar”.

Nas paredes há profusão de elementos portugueses, mas o cosmopolitismo leva os proprietários a afixar também fotos de locais do mundo por onde andaram. Efemérides como o Dia de Portugal ou o 25 de Abril são devidamente assinaladas na decoração e com eventos. “Para comemorar a revolução fizemos um cozido”, conta Hugo Sousa, que aproveita para destacar a origem da carne utilizada: na Escócia, tinha de vir de Aberdeen.

Igual cuidado é posto nos legumes, que vêm através de um protocolo com a vizinha Gorgie Farm, uma quinta comunitária. “Não há nada congelado, a não ser a massa folhada”, garante o sócio da casa. Que faz questão de frisar que o café também é português, e que é bom, sem que para tal seja preciso cobrar 3 ou 4 libras, como noutros locais.

Onde comprar uma pastilha Gorila na Escócia?

Nas prateleiras de outro estabelecimento português há frascos de cevada Pensal e Mokambo, papas Cerelac e Nestum, farinha Maizena, arroz Cigala e sumos Compal. O leite é Mimosa, o azeite Gallo. Patrícia da Silva guia-nos por uma série de marcas bem portuguesas na sua Casa Amiga, uma pastelaria e loja situada em Leith Walk, a importante artéria que liga o centro de Edimburgo à zona portuária.

As marcas emblemáticas do nosso país estão à venda na Casa Amiga

As marcas emblemáticas do nosso país estão à venda na Casa Amiga

Pedro cordeiro

Nascida na África do Sul, a proprietária trabalhou 13 anos como gerente de restaurantes até cumprir o sonho de abrir, em junho de 2014, o seu próprio estabelecimento. O marido está no mesmo sector, mas tem o seu próprio negócio.

Há clientes habitués e alguns chegam a reservar mesa. Um casal de escoceses entra durante a visita do Expresso e elogia o aspeto da casa. “As pessoas de cá costumam comprar produtos nossos. Os portugueses também, claro, e até espanhóis e italianos, para quem alguns dos nossos paladares são familiares”, diz Patrícia Silva, que lhes propõe conservas, queijos, pastilhas Gorila ou sombrinhas de chocolate da Regina, além de enchidos e bacalhau ou mesmo molho para bifanas.

A localização da pastelaria coloca-a a meio do percurso de muitos trabalhadores

A localização da pastelaria coloca-a a meio do percurso de muitos trabalhadores

Pedro Cordeiro

Para quem prefere consumir à mesa, há pastéis de nata e broas de mel (uma especialidade com receita antiga), além de outros bolos que nascem das mãos de um pasteleiro ido buscar à Invicta. Serve-se café Delta e vinho a copo, salgados... e tudo sem parar. Patrícia anda de um lado para o outro e atende clientes enquanto explica que não há mãos a medir para os dez funcionários da casa. Quem circula entre o bairro de Leith e o centro da cidade entra para tomar um café ou o pequeno-almoço. Ao fim de semana, vem gente de fora. “Aberdeen, Perth, Glasgow... famílias inteiras”, conta com um sorriso.

Se algum dia estiver em Edimburgo e precisar de sabão Clarim, já sabe onde se dirigir.

Tugas Amor
161 Dundee St Edimburgo EH11 1BY +44 131 228 8804
www.tugasamor.co.uk

Casa Amiga
294 Leith Walk Edimburgo EH6 5BX +44 131 467 5664
casa-amiga.com