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Até onde podemos ir, quando o céu é o limite?

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 A Kingdom Tower terá 200 andares, distribuídos por 1000 metros de altura

A Kingdom Tower terá 200 andares, distribuídos por 1000 metros de altura

FOTO JEDDAH ECONOMIC COMPANY/ADRIAN SMITH + GORDON GILL ARCHITECTURE

Os recordes estão em todo o lado e a arquitetura nunca foi excepção. Entre o projeto e a construção, há dois novos arranha-céus que prometem quebrar todas as barreiras até agora conhecidas. O Ocidente foi ultrapassado há muito e o Oriente assume-se como principal foco de atenção. O Médio Oriente é rei e senhor da arte de construir em altura e é entre a Arábia Saudita e o Iraque que tudo se decidirá. Por enquanto.

FOTO JEDDAH ECONOMIC COMPANY/ADRIAN SMITH + GORDON GILL ARCHITECTURE

O Burj Khalifa ainda é, do alto dos seus 828 metros, o edifício mais alto do mundo, mas essa marca está prestes a ser ultrapassada. O Dubai continua a investir na construção em altura e o poderio económico saudita não pretende ficar para trás. O projeto da Kingdom Tower já tem luz verde para avançar e tornar-se-á no primeiro edifício com um quilómetro de altura. Sim, serão 1000 metros de betão, aço e vidro em direção aos céus, com inauguração marcada para 2020. As obras já tinham começado e a construção chegou ao 26º andar (de 200 previstos), mas foi temporariamente embargada.

Esta semana tudo mudou, com a Arábia Saudita a assegurar o financiamento da nova torre de Gidá, cidade localizada a menos de 100 quilómetros de Meca. O projeto do gabinete Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, que conta com quase seis dezenas de elevadores e 12 escadas rolantes, terá espaços dedicados à habitação, a escritórios, a um hotel de luxo e a um miradoro no exterior. A também conhecida como Jeddah Tower, por ser da responsabilidade Jeddah Economic Company, mantém por enquanto (e de acordo com o gabinete de arquitetura, em declarações ao Expresso) o nome inicial. Os rumores de que o nome do novo espaço imobiliário mudará em breve de nome ainda não foram confirmados por nenhuma das partes.

Foto D.R.

Apesar da magnitude do projeto, a Kingdom Tower poderá não ser o edifício mais alto do mundo durante muito tempo. O Iraque quer destronar a Arábia Saudita e Bassorá foi a localização escolhida para uma ideia megalómana que pretende mudar por completo a imagem da cidade portuária.

Conhecido como “A Noiva do Golfo” — em homenagem a Bassorá —, o novo projeto da AMBS contará como uma torre de 1152 metros e 241 andares. A ideia do governo iraquiano, que financiará o projeto, é aumentar a capacidade da cidade portuária até 2025, sem que isso diminua a qualidade de vida no local. Se há quem acredite que era naquela região que o bíblico Jardim do Éden existiu, “A Noiva do Golfo” promete ser um oásis num país devastado pela guerra nos últimos anos.

De acordo com o gabinete fundado pelo arquiteto iraniano Ali Mousawi, o projeto não se resume a apenas uma torre. É uma cidade dentro da cidade, ligada por passagens aéreas e jardins suspensos em andares estratégicos. A segurança e a ecologia são também prioridades, com a construção de quatro torres de diferentes alturas a aliar-se à produção de energia limpa.

O complexo é independente e não terá ligação elétrica partilhada com a rede local. A construção não é apenas em altura e estão previstos parques verdes e zonas de restauração e entretenimento à altura do solo. Tudo para apoiar os hóteis, escritórios, escolas, clínicas e centros comerciais a instalar nos edifícios principais.