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Dramaturgia brasileira lida em Serralves à sombra de um baobá

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Leituras no Museu prosseguem domingo com uma nova geração de dramaturgos brasileiros

André M. Correia

A terceira edição das “Leituras no Museu” realiza-se este domingo em Serralves, à sombra de um baobá, uma árvore africana, e é dedicada à obra de cinco dramaturgos brasileiros contemporâneos, levando até à cidade do Porto uma nova geração que emerge do outro lado do Atlântico.

Esta iniciativa, que se realiza desde o início de 2014, conjuga o conceito das Leituras no Mosteiro – projeto de leituras informais organizado todos os meses pelo Teatro Nacional São João (TNSJ) no Mosteiro São Bento da Vitória – com a programação do Museu de Serralves, promovendo “uma relação de vizinhança entre os dois espaços culturais”, destaca a organização em comunicado.

Durante a sessão vão ser explorados textos de Marcos Barbosa, Cássio Pires, Cláudia Barral, Fábio Torres e Luís Indriunas. A iniciativa serve igualmente para celebrar a leitura da 200ª obra dramatúrgica desde que as "Leituras no Mosteiro" tiveram início. O evento, que tem início às 11h, conta com a participação do crítico de teatro, dramaturgo e encenador Jorge Louraço Figueira, “que vem acompanhando de perto” esta nova geração de autores brasileiros e que com o seu conhecimento pretende “aprofundar” as leituras, acrescenta o TNSJ.

Em entrevista ao Expresso, Jorge Louraço Figueira, que está a fazer um doutoramento em Dramaturgia Portuguesa e Brasileira, revela que o seu interesse por autores do ‘país irmão’ teve início há 10 anos, altura em que viajou para o Brasil.

“Cada um dos autores é um caso diferente”, garante o crítico e programador acerca dos cinco dramaturgos que selecionou para esta edição das Leituras no Museu, sendo que todos eles espelham perspetivas distintas sobre as grandes cidades, onde não fica escondida a violência – não apenas física, mas sobretudo “psicótica” – que faz parte do quotidiano de uma metrópole como São Paulo.

Na opinião de Louraço Figueira, estes textos retratam simbolicamente “a antropofagia” existente entre os cidadãos dos grandes centros urbanos e o “isolamento que eles trazem”.

Tanto as “Leituras no Mosteiro” como estas “Leituras no Museu”, que no domingo levam o teatro lido até Serralves, são iniciativas coordenadas por Paula Braga e Nuno M. Cardoso, onde a leitura é feita de “forma informal, em voz alta, livremente partilhada por aqueles que nela queiram tomar parte” e acompanhada por criadores e tradutores que tenham trabalhado as obras, explica o TNSJ no seu site oficial.

Para Jorge Louraço Figueira, estas Leituras são uma iniciativa “muito viva”, opinião também partilhada por Paula Braga, que destacou ao Expresso as mais de 5000 pessoas que já aderiram a estas sessões que se realizam há cinco anos no Mosteiro São Bento da Vitória, no Porto.

“Embora o público primeiro sejam estudantes e criadores de teatro”, as sessões “destinam-se ao público geral”, garantiu a coordenadora, acrescentando que o envolvimento do público tem sido “surpreendente” até para os próprios organizadores.

O evento decorre na galeria onde se apresenta o elemento central da obra "Mujawara da Árvore-Escola (2014–2015)", uma árvore de origem africana chamada baobá, integrada na mostra que estará patente em Serralves até 17 de janeiro de 2016. A sessão tem início com uma exposição sobre a 31.ª Bienal de São Paulo intitulada “Como (…) coisas que não existem”.

A 15 de Dezembro, as Leituras voltam a realizar-se no Mosteiro.