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Vocalista dos Radiohead diz que Google e YouTube são como os nazis

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Getty

Mais declarações duras de Thom Yorke, crítico assumido e recorrente de alguns comportamentos digitais

O que têm em comum o YouTube e a Google (refira-se que o primeiro é detido pela segunda) com o comportamento dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial? Ambos andam a ganhar dinheiro com criações que não lhes pertencem. Esta é pelo menos a opinião do vocalista da banda inglesa de rock alternativo Radiohead (e que tem uma bela carreira a solo - e além, com os Atoms For Peace).

“Um amigo falou-me de uma aplicação para evitar os anúncios no YouTube… Eles colocam anúncios atrás de tudo, ganhando muito dinheiro e ainda assim os artistas nada recebem ou rebebem muito pouco e aparentemente isto é bom para os artistas”, começa por dizer Thom Yorke em entrevista ao jornal italiano “La Repubblica”.

“Não tenho solução para estes problemas. Sei apenas que estão a ganhar dinheiro com o trabalho de muitos artistas que nada ganham com isso”, critica.

“As pessoas continuam a dizer que estamos numa época em que a música e o cinema são de borla. Mas não é verdade. Os criadores dos serviços ganham dinheiro – eles ficam com tudo. ‘Desculpem, mas isto é vosso? Agora é nosso. Não é nada, estávamos só a brincar. Isto ainda é vosso’”, ironiza Thom Yorke.

E conclui: “Tomaram o controlo, tal como os nazis na Segunda Guerra Mundial. Atualmente, estão a fazer o mesmo que se fazia durante a guerra, a roubar obras doutros países. Qual é a diferença?”

Apesar de as músicas da banda britânica continuarem disponíveis em serviços de streaming como o Spotify e o Rdio (que está a ser descontinuado), os trabalhos a solo de Thom Yorke só podem ser escutados em streaming através do Apple Music, onde apenas os primeiros três meses são gratuitos (ao contrário do Spotify, que tem uma versão gratuita contínua suportada por publicidade).

Apesar das críticas à Google e aos serviços digitais como o Spotify, Thom Yorke testou nos últimos dez anos estratégias de lançamento neste universo. Os Radiohead, por exemplo, foram pioneiros quando em 2000 disponibilizaram o seu disco “Kid A” em streaming, ou quando em 2007 permitiram aos fãs pagar o que quisessem pelo trabalho “In Rainbows”. Já o disco a solo de Thom Yorke, “Tomorrow's Modern Boxes”, foi lançado o ano passado recorrendo ao serviço pago de downloads Bit Torrent.

Fechamos com uma maldade (para Thom Yorke) que é uma bondade (para quem aprecia o artista): um vídeo do YouTube.

  • Streaming, a nova obsessão: agora é a Google com o YouTube Red

    A Google apresentou um serviço pago que permitirá aceder a um número ilimitado de vídeos, em streaming ou offline. O YouTube Red chega aos Estados Unidos a 28 de outubro. O mundo anda obcecado com o streaming: há Spotify, Apple Music, Netflix, Rdio, Deezer, Rdio, Tidal, Amazon, Google a dobrar (Google Play Music e agora YouTube Red - pagar por um dará acesso ao outro), etc. - haja euros para tanto streaming