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Humor com humor se paga

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FOX. “The Grinder”, com Rob Lowe (ao centro) e Fred Savage (atrás, à esquerda), é uma das apostas do FOX Comedy

A Netflix adiciona novas séries de comédia quase todas as semanas e a FOX criou um novo canal dedicado ao género. São tempos risonhos para os amantes do sofá

Rir ainda é o melhor remédio? Claro que sim (e talvez mais do que nunca). O sucesso das séries de comédia é a prova e são cada vez mais os programas do género entre nós. Com o aparecimento de serviços como o Netflix — que apostam em diversos formatos — os canais tradicionais têm vindo a reagir. A programação está mais cuidada e há uma maior atenção às novidades.

É tempo de dizer adeus aos meses de espera entre a estreia em solo norte-americano e a chegada dos programas a Portugal. Terá a guerra da televisão contra o streaming chegado ao humor? Talvez não seja tanto assim, mas há reações vindas dos dois lados da barricada. Pode ser esse o caso do FOX Comedy, que nasce no lugar deixado vago pelo FX na última terça-feira. O novo canal da FOX International Channels, que começou a emitir na quarta, promete trazer o melhor da comédia para televisão. Se já havia público para tudo, agora há também conteúdos para todos. Aos que ficam do desaparecido FX, como “Family Guy” ou “The Simpsons”, juntam-se na programação séries como “Uma Família Muito Moderna” (que transita da FOX Life). Um canal novo sem verdadeiras novidades também não seria de esperar e há novos conteúdos internacionais e portugueses.

Séries

“The Grinder”, série norte-americana de Andrew Mogel e Jarrad Paul, estreou na noite deste sábado, às 22h35, na FOX Comedy. A receita “série dentro da série” volta a funcionar com Dean Sanderson Jr. (Rob Lowe), um ator que enfrenta o fim do seu programa ao fim de oito temporadas. Sem emprego, terá de regressar para junto da família e encontrar uma nova ocupação. Decide que a carreira do irmão Stewart (Fred Savage) lhe interessa e abraça a vida de advogado, que já havia vivido na ficção. As dinâmicas familiares serão o prato forte desta primeira aposta internacional do novo canal português.

Do lado do streaming, a Netflix estreou “Master of None” há apenas duas semanas e parte do argumento parece repetir-se. Desta feita, a história é a de um ator que interpreta um ator. As questões raciais são um dos focos desta comédia que quase parece documental. Entre os castings falhados e os papéis conseguidos — quase sempre cientistas, vendedores de loja ou donos de restaurantes indianos —, Dev procura o seu lugar na cidade de Nova Iorque. Aziz Ansari é o protagonista, mas as suas responsabilidades não se cingem à representação. O norte-americano de origem indiana é também argumentista, realizador e produtor executivo da série. No catálogo da Netflix aparece também como mentor de alguns espetáculos de stand up comedy.

Pura e dura é a comédia de Bob Odenkirk e David Cross. Para os que ainda se lembram de “Mr. Show”, emitido pela HBO entre 1995 e 1998, é um regresso. Para os demais, “W/ Bob & David” é algo completamente novo. A Netflix recuperou o projeto e pô-lo a correr na plataforma esta semana. São quatro episódios cheios de bons sketches para aguçar o apetite até que algo maior surja, embora a continuação do programa ainda não esteja confirmada.

Stand up

Numa altura em que muitos dos humoristas apenas são conhecidos pelas participações em programas televisivos, esta é a oportunidade perfeita para mostrarem de que fibra são feitos. Em palco, e de uma forma mais imediata, apresentam-se em formato stand up num dos novos projetos do FOX Comedy, o “FOX Comedy Club”. A estreia do programa aconteceu ontem, às 22h30, e terá emissão regular aos sábados, em grupos de três episódios, um de cada humorista. Luís Franco-Bastos, Salvador Martinha e Diogo Faro já gravaram trinta no café concerto do Teatro A Barraca, em Lisboa, e o melhor é rir no sofá enquanto os artistas atuam de pé.

Se este formato servido em pequenas doses não for suficiente, talvez possa complementar a refeição de humor vendo-os ao vivo ou com alguns dos espetáculos de stand up comedy da Netflix. Há nomes como o de Rafinha Bastos, Chris Tucker, Anjelah Johnson, Chris D’Elia ou Trevor Noah na seleção agora disponível.

Animação

Os canais FOX já exibiam vários formatos de animação muito antes de a Netflix chegar até nós, pelo que grande parte dos telespectadores portugueses não veem “BoJack Horseman” como uma novidade (mesmo que o seja). A linguagem gráfica aproxima-se da apresentada em vários sucessos (como “Family Guy” ou “American Dad”), mas aqui a estrela é uma personagem invulgar. O cavalo-meio-homem é a alma do espetáculo e Will Arnett, ator que lhe dá voz, tem um ponto a seu favor: a série é a preferida de Reed Hastings, CEO do gigante do streaming. Também no campo da animação, o FOX Comedy aposta na produção nacional. “A Criada Malcriada”, nascida como ilustração no Facebook, chega agora à televisão, em filler. O microformato, pensado para intercalar com outros programas, terá a duração de 30 segundos e a primeira remessa é de 30 episódios (estreou na quarta-feira e há emissão diária às 20h10). Os dilemas da senhora e da sua criada contam com voz de Manuel Moreira.

Depois de uma fase em que o embate entre a televisão e o streaming parecia iminente, a continuidade poderá ser o segredo. A oferta tradicional e de streaming complementam-se (agora também no humor).