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Vêm aí os russos

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Casa da Música programa para 2016 a maior mostra de música russa alguma vez apresentada em Portugal

O programa “Mãe Rússia” na Casa da Música inclui a interpretação da “Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, uma das mais revolucionárias obras orquestrais do século XX

O programa “Mãe Rússia” na Casa da Música inclui a interpretação da “Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, uma das mais revolucionárias obras orquestrais do século XX

AFP / Getty Images

Ao comemorar o primeiro ano da segunda década de existência, a Casa da Música (CdM) resolveu dedicar 2016 à Rússia, espaço geográfico onde ao longo dos dois últimos séculos se desenvolveram algumas das mais inovadoras propostas musicais. Com uma programação toda ela pensada para valorizar, divulgar, apresentar ou revelar algumas das grandes criações dos compositores russos, o cartaz prevê dois momentos centrais com a interpretação de duas integrais: as sete sinfonias de Sergei Prokofieff e os quatro concertos para piano e orquestra de Sergei Rachmaninoff, sem esquecer algumas das peças mais relevantes de compositores como Stravinsky, Tchaikovsky, Chostakovitch, Borodin, Rimsky-Korsakov ou Mussogsky.

No total, serão mais de três dezenas de concertos a envolverem os quatro Agrupamentos Residentes da Casa, ou Serviço Educativo, para lá de um significativo número de relevantes músicos convidados.

Há toda uma componente didática nesta opção da Casa da Música de em cada ano ter um país tema. Isso permite, como acontecerá agora de novo, proporcionar uma perspetiva histórica do património musical russo, desde os primórdios da música vocal da tradição ortodoxa até aos nossos dias. Isto implica passar por precursores, como Maxim Berezovsky, autor da primeira sinfonia russa conhecida, ou Dmitri Bortniansky, bem como por Mikhail Glinka (tido como o pai da música nacional russa), Alexander Glazunov, Rimsky-Korsakov, Mily Balakirev, Khatchaturian, Nikolai Myaskovsky, Modest Mussorgsky, Alexander Borodin, Tchaikovsky, Scriabin, Chostakovitch, Stravinsky, ou os mais recentes Alfred Schnittke, a quem será dedicada uma retrospectiva, Sofia Gubaidulina, Galina Ustvolskaya, Edison Denisov e Elena Firsova.

A Abertura Oficial do Ano Rússia, será feita com o programa intitulada “Mãe Rússia”, no qual se inclui a interpretação da “Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, uma das mais revolucionárias obras orquestrais do século XX.

Como o universo musical da CdM não vai esgotar-se na produção oriunda da Rússia, ainda em janeiro a Orquestra Sinfónica apresenta obras de quatro compositores portugueses, encomendadas pelo Município de Matosinhos. É uma forma de homenagear o papel decisivo desempenhado pelo recentemente falecido Manuel Dias da Fonseca, um melómano responsável por uma grande alteração no modo como uma autarquia pode entender o trabalho cultural. No final do mês, a Sinfónica inicia o ciclo da Integral das Sinfonias de Sergei Prokofieff, com o maestro Kirill Karabits.

Sokolov em março

Em fevereiro será tempo do festival Invicta.Música.Filmes, com a projeção do filme do bailado “Romeo e Julieta”, de Prokofieff, com a Companhia de Ballet do Teatro Bolshoi acompanhado ao vivo pela Orquestra Sinfónica da CdM, e o primeiro concerto do ciclo da Integral dos Concertos para piano de Sergei Rachmaninoff, o Concerto n.º 2, imortalizado pelo filme de David Lean “Breve Encontro”. O cartaz fecha com o espetáculo de DJ e VJ “Layka Film”, no qual são revisitados episódios do início da era espacial.

Através do Remix Ensemble começa, a meio do mês, o “Portrait Georges Aperghis”, uma retrospetiva do compositor greco-francês que muito contribuiu para a reinvenção do teatro musical no séc. XX e que será Compositor em Residência.

Grigory Sokolov, uma presença já habitual na CdM regressa em março. No ciclo Concertos de Páscoa, a Orquestra Barroca propiciona um programa temático que marca a estreia do maestro e oboísta Alfredo Bernardini. O Remix Ensemble e o Coro Casa da Música interpretam o “Requiem” de Schnittke.

Para abril fica guardada a estreia em Portugal, na qualidade de compositor, de um dos artistas em destaque no ano, Gabriel Prokofiev, neto de Sergei Prokofief. O seu Concerto para “turn tables” e orquestra é interpretado pela Orquestra Sinfónica e pelo campeão do mundo DJ Switch, a par da Sinfonia n.º 4, de Prokofief avô

Abril na casa da Música não seria abril sem o ciclo Música & Revolução, que este ano leva o subtítulo “Surrealismo Socialista” e é dedicado aos compositores mais perseguidos, ou mais incompreendidos, ou mais segregados pelas autoridades soviéticas: Chostakovitch, Myaskovsky e Prokofieff, Elena Firsova, Edison Denisov, Sofia Gubaidulina e Galina Ustvolskaia. Será tempo, ainda, para a estreia do maestro russo Vassily Sinaisky à frente da Orquestra Sinfónica, que, mais uma vez, se cruza em palco com o Remix Ensemble.

Em maio mantém-se o Ciclo Rito da Primavera com Spring ON!, dedicado aos jovens valores emergentes do Jazz, e ECHO Rising Stars, que reúne as mais recentes promessas internacionais da música de câmara.

Sinfónica nos Aliados

Com junho chega o festival Verão na Casa da Música, durante o qual a música, nos seus mais diversos géneros, salta para o espaço público. Aí se integra o concerto da Sinfónica na Avenida dos Aliados.

Em julho, destaque para a estreia mundial de uma obra encomendada pela Casa da Música a Gabriel Prokofiev, compositor, produtor e DJ. É uma obra para a Orquestra Sinfónica e os novos instrumentos da lutherie electrónica, numa ponte entre a música erudita e o hip-hop.

Até final do ano haverá ainda, em setembro, o ciclo Transgressões, o Outono em Jazz em meados de outubro, ou o sempre muito aguardado À Volta do Barroco em novembro, que terá como convidada especial e Artista em Associação, uma das revelações dos últimos tempos, a violista russa Alina Ibragimova. Apresenta-se quer com violino moderno, quer com violino barroco. O mês acaba com a Orquestra Sinfónica a interpretar obras maiores de três dos mais significativos compositores russos: Mussorgsky, Borodin e Rimsky-Korsakov.

No último mês do ano terminam os ciclos dedicados à Integral dos Concertos para Piano de Sergei Rachmaninoff e das Sinfonias de Sergei Prokofieff. Será a oportunidade, também, para regressar a uma das mais populares obras de Tchakovsky, o “Quebra-Nozes”. Michail Jurovsky dirigirá a Orquestra Sinfónica e marcará assim o fecho do ano da Rússia na Casa da Música.

Quanto aqui fica é apenas uma amostra da programação que ao longo do ano não deixará de passar por acertos e proporcionar, até, o anúncio de outros espetáculos, outros concertos, outros artistas. Será, por isso, essencial a consulta regular da programação.