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10 coisas que (provavelmente) não sabia sobre James Bond

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Daniel Craig é, uma vez mais, o agente "007"

Jonathan Olley

No dia em que “Spectre”, o 24.º filme da saga “007”, chega às salas de cinema portuguesas, desclassificámos o ficheiro do agente secreto mais famoso do cinema. Eis duas mãos cheias de curiosidades que descobrimos

Sabe quem era o verdadeiro James Bond? Acha mesmo que a bebida favorita do agente "007" era Vodka Martini? E sabia que a música original da saga foi inicialmente composta para um musical? Eis dez trunfos para a sua cultura de algibeira, para brilhar em qualquer quizz sobre o mais famoso agente secreto do planeta.

1. "Spectre" não é bem o 24.º filme com o agente "007"

Antes de ser revelado o nome, "Spectre" era conhecido como "Bond 24", porque era o 24º filme da saga 007, que começou há 53 anos com "Dr. No" (Em Portugal "007 – Agente Secreto) – foram todos produzidos pela Eon Productions, fundada em 1961. Mas isso não significa que a personagem criada pelo escritor britânico Ian Fleming não tenha aparecido outras vezes no ecrã. A primeira foi em 1954, numa versão televisiva de "Casino Royale". Mais tarde, em 1967, chegou ao grande ecrã outra versão de "Casino Royale", desta vez uma paródia aos filmes de espionagem, com Ursula Andress, Peter Sellers, Orson Wells e um jovem comediante conhecido como Woody Allen, no papel de Jimmy Bond, o sobrinho do agente secreto. Outro famoso filme de Bond que não integrou a série oficial por não ser produzido pela Eon (que tinha os direitos da personagem para o cinema) foi "Nunca Mais Digas Nunca". Chegou aos cinemas em 1983, meses depois de "Operação Tentáculo" (esse sim, da saga oficial) e marcou o regresso de Sean Connery ao papel que o celebrizou nos anos 60.

2. "Operação Relâmpago" esteve para ser o primeiro filme 007

"Dr. No" não era a primeira escolha para o filme que inauguraria a saga James Bond. A opção inicial tinha recaído em "Operação Relâmpago", cujo livro tinha acabado de ser publicado quando a Eon Productions foi criada. A história, porém, estava envolta em controvérsia: Ian Fleming era acusado por um realizador, Kevin McClory, de se ter inspirado no guião de um filme que este estaria a preparar sobre Bond. As partes só chegariam a acordo em 1963, quando já tinham sido estreados dois filmes "007", ficando McClory como co-produtor de "Operação Relâmpago", a quarta obra da série. Apesar disso, o realizador manteve os direitos do filme que queria produzir e avançou mais tarde com este, convencendo Sean Connery a regressar ao papel do agente secreto mais famoso do mundo, doze anos depois de o ter interpretado pela última vez, em "Os Diamantes São Eternos". Chamou-lhe "Nunca Mais Digas Nunca", nome que terá sido inspirado por uma conversa do ator com a esposa, onde lhe disse que não voltaria a fazer de James Bond.

3. O ator que fazia de Goldfinger não falava inglês

O alemão Gert Fröbe deu o corpo (mas não a voz) a Auric Goldfinger

O alemão Gert Fröbe deu o corpo (mas não a voz) a Auric Goldfinger

D.R.

O terceiro filme da saga conta com o alemão Gert Fröbe no papel do vilão Auric Goldfinger, um comerciante de ouro que quer assaltar Fort Knox, a reserva federal de ouro dos EUA. O ator, porém, "esqueceu-se" de avisar os produtores que mal falava Inglês. Segundo conta Roger Moore no seu livro "Bond on Bond" (Bond sobre Bond), o vocabulário do germânico resumia-se a "Como está? Estou muito contente por estar aqui". O ator Michael Collins acabou por ser contratado para dar voz a todas as falas do papel interpretado por Fröbe.

4. A música de James Bond foi escrita para um musical

As notas icónicas da música introdutória de James Bond não foram compostas originalmente para o primeiro "007". Monty Norman, que compôs a banda sonora de "Dr. No", tinha criado a música para uma adaptação musical do romance "Casa para o Sr. Biswas", de V.S. Naipaul. A composição, porém, acabou por não ser utilizada na peça e Norman decidiu adaptá-la para o filme, com arranjos de John Barry.

5. Uma atriz ameaçou suicidar-se com medo de perder o papel

Mie Hama prometeu saltar da varanda de um prédio se não mantivesse o papel de Kissy Suzuki

Mie Hama prometeu saltar da varanda de um prédio se não mantivesse o papel de Kissy Suzuki

D.R.

Gert Fröbe não foi o único ator dos filmes de Bond às voltas com a língua inglesa. Para permitir as gravações de "Só se Vive Duas Vezes" (1967), o governo japonês impôs que apenas atrizes nipónicas pudessem desempenhar os papéis principais. Uma delas, Mie Hama, escolhida para o papel da mergulhadora e agente secreta Kissy Suzuki, teve apenas alguns meses para aprender Inglês no estrangeiro. Quando perceberam as dificuldades desta, os produtores decidiram que iriam escolher outra atriz. Ao receber a notícia, Hama ameaçou saltar de uma janela do Dorchester Hotel, em Londres. Acabou por manter o papel.

6. O criador de Bond também foi espião

Ian Fleming tinha algumas coisas em comum com a personagem que criou: para começar, era ele próprio um pinga amor; gostava dos seus Martinis "batidos, mas não misturados"; e foi, também ele, um espião. Depois de ter experimentado o jornalismo, o britânico foi recrutado para os serviços de informação naval, tornando-se assistente pessoal do Almirante John Godfrey. Também Harry Saltzman, co-produtor dos primeiros nove filmes da saga, teve uma passagem pela espionagem: nos anos 40, esteve ligado à Agência de Serviços Estratégicos dos EUA, predecessora da CIA.

7. Goldeneye é mais do que um filme

O título do 17.º filme da saga foi inspirado numa propriedade que o autor Ian Fleming tinha na Jamaica. O escritor apaixonou-se pela ilha numa viagem durante a II Guerra Mundial e adquiriu uma porção de terra na baía de Oracabessa, na coste norte. Chamou-lhe Goldeneye. Foi aí, numa casa de três quartos com vista para o Mar do Caribe, que escreveu grande parte dos seus 14 romances de espionagem.

8. O porquê de "M" ser conhecido apenas pela inicial

Em "Spectre", Ralph Fiennes é "M"

Em "Spectre", Ralph Fiennes é "M"

Francois Duhamel

A personagem do chefe de James Bond, diretor do MI6, foi inspirado em Mansfield Smith-Cumming, que foi o primeiro responsável pelos serviços secretos britânicos. Era conhecido como "C", devido ao hábito de começar documentos com a letra C escrita a verde. Fleming transpôs então esta ideia para a sua personagem M, cujo nome completo é Sir Miles Messervy.

9. Vodka Martini não é a bebida preferida de Bond

O cinema celebrizou o Vodka Martini "batido mas não misturado" de Bond, mas não é essa a bebida que ele mais consome durante os filmes: a sua predileta é o champanhe, presente em 65 ocasiões (o Vodka Martini fica-se pelas 41). Nos livros de Fleming, porém, a bebida mais presente é o whisky – Sean Connery até protagonizou o anúncio de uma marca quando dava corpo ao espião – mas os acordos comerciais acabariam por ditar outras escolhas no cinema, incluindo uma controversa associação à Heineken, que pagou mais de 40 milhões de euros para estar presente em "Skyfall", quase um terço do orçamento do filme.

10. O verdadeiro James Bond era um... ornitólogo

James Bond era também o nome de um famoso ornitólogo, especializado no estudo das aves das Caraíbas e autor do livro "Field Guide to Birds of the West Indies". Fleming justificou a escolha do nome da personagem por ser o mais "simples, enfadonho e comum" que conseguiu encontrar.

Veja aqui o trailer de "Spectre":