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“Downton Abbey”. Em tempo de despedidas

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Hugh Bonneville continua no papel de Lord Robert Crawley e será protagonista de uma das cenas mais chocantes da temporada

Nick Briggs/Carnival Film & Television Ltd.

A última temporada de “Downton Abbey” estreia-se no FOX Life. Julian Fellowes, criador da série, e Gareth Neame, produtor-executivo, fazem o balanço desta grande produção

É como se estivéssemos num carro de época e já olhássemos Highclere Castle pelo retrovisor. O verde puro dos campos britânicos ficará para trás e o edifício que todos conhecemos estará cada vez mais longe. Foram cinco temporadas que contaram a história de Inglaterra e as alterações sociais a partir da vida dos Crawleys. A casa abre-se aos telespectadores pela sexta e derradeira vez. Estamos em 1925.

Não se pense que esta série é apenas histórica ou que não passa de uma comédia de maneiras. “Downton Abbey” vive da mistura de géneros e capta a essência de uma sociedade politizada e em constante mutação. Da vida dos empregados ao que se passa nas zonas reservadas aos senhores, nada escapa ao olhar de Julian Fellowes, criador e argumentista do programa. É impossível esquecer a morte de Matthew Crawley ou a violação de Anna Bates.

O tempo é de despedidas mas ainda há surpresas por revelar. Haverá também cenas chocantes a tomar o público de assalto, aparecendo de rompante por entre a calma dos dias. Uma delas terá como protagonista Lord Robert Crawley, mas o melhor é seguir os episódios — emitidos às terças-feiras a partir da próxima — e ver com os próprios olhos.

Quanto às novas personagens, que todos os anos têm aparecido, serão em muito menor número. É próprio de uma temporada final e os dois responsáveis pela série falaram sobre o fim anunciado numa sessão de perguntas e respostas. “Será dada uma maior atenção às personagens principais, mas teremos convidados”, avança Gareth Neame. Por se tratar da “resolução”, o caminho a adotar não poderia deixar em aberto a possibilidade de um regresso. “As pessoas verão os episódios sabendo que estão a dizer adeus a este grupo de personagens ficcionais”, confirma Fellowes, revelando que quem aparecer apenas contribuirá para a história dos que já conhecemos de anos anteriores. O que decerto não faltará é a já tradicional emissão especial de Natal.

Um novo começo

Já há futuro. “Downton Abbey” pode ter acabado de vez, mas Julian Fellowes continuará a explorar o nosso mundo. Será em “The Gilded Age”, sobre a Nova Iorque dos anos 1870, que o criador mostrará a luta de poder entre os ricos de origem holandesa e as famílias que ali chegam depois da Guerra Civil.

Quanto a possíveis adaptações da série britânica ao cinema, Julian Fellowes fecha-se em copas, confirmando apenas que existem conversações sobre o tema. “Para que isso aconteça é preciso que o elenco esteja disponível e que a NBC o queira fazer”, diz. E conclui: “Este é o fim da série televisiva e é a única coisa que podemos dizer de forma definitiva”.

Gareth Neame já sabe como quer que o seu trabalho dos últimos anos seja lembrado. Espera “que este programa seja recordado durante algumas décadas” e que as pessoas o vejam “vezes e vezes sem conta”. “Downton Abbey” é uma das maiores produções britânicas de sempre e o produtor-executivo considera que esta é “a única produção europeia capaz de figurar junto das grandes séries norte-americanas”. Sobre o papel desta na história da televisão, Julian Fellowes é mais cauteloso. Prefere não avançar com uma teoria nem inserir a sua criação num altar. Chega-lhe saber que o público gostou.