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Cultura

Cinco exposições a não perder na Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra

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A instalação "The Pursuit of Happiness", de Lawrence Weiner, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

Jorge Neves

Até dia 29, Coimbra recebe a primeira Bienal de Arte Contemporânea da cidade, que assume o objetivo de refletir sobre a classificação da cidade como Património da Humanidade. Eis uma mão cheia de propostas que não pode perder

São mais de 20 exposições e mais de 40 artistas consagrados, dos portugueses Julião Sarmento, Francisco Tropa, Pedro Cabrita Reis, Pedro Costa ou Rui Chafes a nomes internacionais como Matt Mullican, Lawrence Weiner, Marcel Broodthaers ou a brasileira Adriana Varejão. A primeira edição do Anozero: Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, uma iniciativa organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a autarquia e a universidade local, propõe um confronto entre a arte contemporânea e o património desta cidade que é agora Património da Humanidade. O programa completo pode ser consultado aqui, mas fique com estes cinco pretextos para uma visita.

FAMÍLIA, DE RUI CHAFES E PEDRO COSTA

No criptopórtico romano de Aeminium, lugar que parece abraçar o enigma e o apagamento da história, esboça-se um diálogo entre dois artistas singulares.As esculturas de Rui Chafes encontram os filmes de Pedro Costa, realizados em Cabo Verde em 1994 durante a rodagem de “A Casa de Lava”. A instalação conta ainda com as vozes de Jean Marie e Danièle Huillet, através do seu filme tributo a Stéphane Mallarmé, poeta e crítico francês.

Museu Nacional de Machado de Castro, a 31 de janeiro

“A CASA DE COIMBRA”, DE PEDRO CABRITA REIS

Jorge Neves

Destruir para depois criar. É este o ponto de partida de “A Casa de Coimbra”, uma escultura de Pedro Cabrita Reis construída a partir da destruição, por motosserra, da Sala da Cidade, nos Paços do Município. O antigo refeitório dos Frades do Mosteiro de Santa Cruz foi, ao longo de três dias, alvo de um processo de reconstrução, unificador dos diversos tempos históricos que coexistem naquela sala, e que contou até com o apoio dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, entre outras entidades.

Sala da Cidade, até 17 de janeiro

“ENCRIPTAR, REVELAR. UMA GRUTA E UMA CLAREIRA”, DE FRANCISCO TROPA E ALBERTO CARNEIRO

O mesmo espaço, dois renomados escultores, duas obras, um encontro improvável: Carlos Antunes, director do CAPC (Círculo de Artes Plásticas de Coimbra) e da bienal escolheu uma obra de Francisco Tropa proveniente de uma das mais importantes coleções de arte da cidade (a de António Albertino) e convidou Alberto Carneiro a pensar numa peça que se articulasse com aquela. O resultado é um encontro entre a visão mágica de Tropa, quase um alquimista, e a posição aberta e reveladora da obra de Carneiro.

Museu Municipal de Coimbra, Edifício Chiado, até 29 de novembro

“TIRADO DO SÉRIO”, DE JOÃO PEDRO TRINDADE

Jorge Neves

Tapetes de rua aparecem pendurados em vários pontos do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, do século XIII. Um cenário inesperado, que bastaria para justificar uma exposição de arte contemporânea na primeira edição desta bienal, cujo objetivo principal passa precisamente por dar ênfase à distinção da Universidade de Coimbra, Alta e Rua da Sofia como Património da Humanidade.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, até 29 de novembro

“ANATOMIA DA PALAVRA”, VÁRIOS ARTISTAS

Durante anos, foi na Casa da Escrita que o poeta João Cochofel se reuniu com nomes maiores da literatura,das artes e do pensamento político como Fernando Namora, Carlos Oliveira ou Eduardo Lourenço. Agora, a casa de paredes brancas junto à Sé de Coimbra recebe o trabalho de quatro artistas que abordam as relações da linguagem e da identidade sobre distintas perspetivas. Uma exposição que nos confronta com as contradições inerentes à linguagem e ao ser humano.

Casa da Escrita, até 29 de novembro