Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Olá! Eu sou Adele, a campeã de vendas

  • 333

ADELE. 30 milhões de discos vendidos (e continua a contar)

Miguel Cadete

Miguel Cadete

Diretor-Adjunto

Em equipa que ganha não se mexe. Ou a prudência sempre foi amiga do negócio. Ou ainda, os críticos é que querem que tudo mude mas o público gosta que lhe sirvam aquilo que já conhece.

Tanto faz, “Hello”, a primeira canção do novo álbum de Adele que será publicado a 20 de novembro cumpre todas as expectativas mais conservadoras. Isto é, trata-se de uma balada que está em consonância com os pergaminhos que fizeram da rapariga a maior estrela da música popular no século XX: drama, parcimónia, bom gosto, piano, discrição, bom gosto, elegância...

As notícias sobre um álbum completamente diverso dos dois que Adele (dez Grammys, quatro Brit Awards e um Óscar) até hoje editou eram manifestamente exageradas. Nas “breaking news” falava-se de Damon Albarn, Pharrel Williams, Danger Mouse e até Phil Collins como integrantes da lista de compositores e produtores. O incauto seria por isso levado a pensar que a nova Adele daria uma volta de 180º e, por conseguinte, faria um disco próprio para as pistas de dança, para o nicho da world music, para a malta do alternativo, ou para a música mais terrivelmente comercial. Mas não, nada disso. “Hello” é Adele da mais pura Adele, igual a ela própria, sangue do seu próprio sangue.

“21” capa do novo álbum

“21” capa do novo álbum

Afinal, a novidade está — e isso já não é pouco — no regresso da própria Adele. Ela que não editava há cinco longos anos, com exceção de uma canção para a banda sonora de um filme de James Bond, ela que vendeu 30 milhões de cópias do seu último álbum de originais, “21”, ela que aos 27 anos vai publicar um disco chamado “25”, ela que salvou a indústria da música popular fazendo da sua casa uma editora independente como a XL, a mesma dos Prodigy, The xx, FKA twigs ou Dizzee Rascal.

É exatamente por isso, pela sua auto-consciência, que Adele pode regressar cinco anos depois — e hoje em dia, na música pop, cinco anos corresponde a cerca de meio século — com um tudo-nada ingénuo “Hello, it's me”. As palavras que da sua nova canção, hoje divulgada, cujo teledisco pode ser visto AQUI, valem mais do que toda a tinta que se vai gastar nas próximas semas sobre Adele. E o videoclip também não é de se deitar fora. (Dezasseis horas depois de ser colocado online, o vídeo de seis minutos conta com mais de 1,4 milhões de visualizações)

Lá está a melancolia, agora em modo reconciliatório, o refrão peganhento, a sinceridade impossível, a elegância de evitar o malabarismo vocal. Está lá tudo o que sabíamos de Adele. Nada mais. E isso é bom.

Miguel Cadete escreve no EXPRESSO DIÁRIO às sextas-feiras