Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Novo disco de Aline Frazão. A liberdade em Angola e as ironias da história

  • 333

Dinis Santos

A angolana Aline Frazão, voz ativa pela liberdade em Angola e crítica do regime de José Eduardo dos Santos, lança novo álbum. Pedro Geraldes, guitarrista dos Linda Martini, é um dos seus principais cúmplices, Capicua ofereceu-lhe uma canção e António Jorge Gonçalves fez as aguarelas. Neste vídeo 'making of' de "Insular", Aline partilha os bastidores dessa gravação "mais rock" onde os que lutam pela liberdade em Angola não são esquecidos

Era possível auspiciar grandes mudanças, tendo em conta que uma das grandes novidades deste novo disco de Aline Frazão passava pelo facto da cantora e compositora angolana ter desafiado Pedro Geraldes (Linda Martini), e sua guitarra elétrica, a acompanhá-la em estúdio. Mas o que aconteceu em "Insular", a lançar em 20 de novembro, não foi uma rutura. Foi antes uma amplificação de um discurso de inquietação que já aparecia em discos anteriores.

Aline não perdeu a delicadeza. Aos 27 anos, ganhou força e afirmação. Como explicou ao Expresso, antes do concerto realizado no último Festival de Músicas do Mundo (FMM), em Sines, a passagem da guitarra acústica para a elétrica não foi um passo artificial: "A guitarra elétrica permite ter acesso a uma paleta de sons mais ampla". De resto, foi o diretor do FMM, Carlos Seixas, que lhe sugeriu o estúdio na ilha de Jura, na Escócia, onde este trabalho foi gravado, sob direção de Gilles Perring.

José Saramago começou 'por dar uma ajuda', ao inspirá-la a escrever uma letra a partir de "O Conto da Ilha Desconhecida": 'O homem que queria um barco', colocada a mais de meio deste disco, faz parte de um leque de canções quase todas da sua autoria. A exceção é a letra de Capicua 'A Louca', e um poema de Ana Paula Tavares, que musicou ('O som do Jacarandá').

O tom de protesto e crítica pode ler-se de modo mais súbtil em temas como 'Mascarados', mas é na homenagem a uma guerrilheira angolana do MPLA, que morreu em combate, na década de 50, chamada Deolinda Rodrigues, que Aline Frazão declara a sua vontade de "escrever a palavra liberdade". O tema chama-se 'Langidila' (o nome de guerra) e serve, como Aline Frazão diz, para lembrar a circularidade da história: "Em novembro, fazemos 40 anos de independência. Deolinda Rodrigues não viu Angola independente. Morreu antes, num acontecimento que é muito emblemático da história de Angola e que a tornou uma heroína. E é precisamente neste momento que estamos a precisar de falar de liberdade".