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Morreu o escritor egípcio Gamal Al Ghitani

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Gamal Al Ghitani. Fotografia datada de 2009.

HOSSAM DIAB/ALMASRY ALYOUM

Sempre muito crítico dos regimes árabes, Gamal Al Ghitani, um dos nomes maiores da literatura egípcia, chegou a ser preso durante o regime do ex-presidente egípcio Gamal Abdel Nasser. Morreu este domingo, aos 70 anos

Helena Bento

Jornalista

Gamal Al Ghitani, um dos nomes maiores da literatura egípcia, morreu este domingo de manhã, num hospital militar no Cairo, devido a problemas respiratórios, informou a agência de notícias egípcia MENA. Tinha 70 anos e estava doente há já algum tempo.

Nascido a 9 de maio de 1945, numa família pobre de Guhayna, no sul do Egito, Gamal Al Ghitani foi viver com os pais para o Cairo quando era ainda muito jovem. Terminados os estudos, iniciou-se no desenho de tapetes, mas aos 20 anos começou a dedicar-se ao jornalismo.

Conhecido pelas suas duras críticas aos regimes árabes (em 1966 chegou aliás a ser preso, por causas dos seus ataques e críticas constantes ao regime autoritário do ex-presidente egípcio Gamal Abdel Nasser), Gamal Al Ghitani destacou-se como repórter de guerra. Cobriu, entre outros acontecimentos, o conflito israelo-árabe de 1973.

Percorrendo diferentes géneros, desde o romance ao conto, Gamal Al Ghitani escreveu dezenas de livros que foram publicados e traduzidos em várias línguas, entre eles a obra "Zayni Barakat", publicada em 1974, e descrita pela crítica como um retrato seminal do regime do ex-presidente egípcio.

Humphrey Davies, que traduziu dois livros seus, “Pyramid Texts” e “The Mahfouz Dialogues" (que reúne uma série de conversas que teve com Naguib Mahfouz, o primeiro árabe a receber o Nobel da Literatura, e de quem afirmava ser um grande admirador), dizia que Gamal Al Ghitani inaugurara um estilo "que tinha raízes tanto na história da literatura árabe, como em áreas como o sufismo e a magia", e que o escritor conseguia combinar estes vários interesses de uma forma "muito envolvente", refere a BBC.

Gamal Al Ghitani foi galardoado com vários prémios no Egito (entre eles o prémio nacional egípcio de literatura), e em 1987 foi condecorado em França com a Ordem das Artes e das Letras. Este ano, venceu o prémio do Nilo, a mais alta distinção literária atribuída pelo Governo egípcio.

Num comunicado citado pela BBC, o primeiro-ministro Sherif Ismail lembra o seu "estilo único, inteligência e visão ampla", que "contribuíram de modo decisivo para enriquecer a literatura". Ghitani foi um dos muitos intelectuais que apoiaram a deposição do ex-presidente egípcio Mohammed Morsi, em 2013.