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Marlon James quase desistiu de ser escritor. Ao terceiro romance, conquistou o Man Booker Prize

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NEIL HALL/ REUTERS

Em 1976 tentaram matar Bob Marley. “A Brief History of Seven Killings” parte desse episódio e valeu ao autor da obra ser o primeiro jamaicano a conquistar o prestigiado galardão literário

Inspirada na tentativa de assassinato de Bob Marley, episódio que remonta a meados dos anos de 1970, “A Brief History of Seven Killings” transformou Marlon James no primeiro autor jamaicano a conquistar o prestigiado Man Booker Prize.

Aos 44 anos, Marlon confessa que o prémio tem um significado muito especial. “Isto é tão ridículo que acho que vou acordar amanhã e não aconteceu”, disse em Londres na terça-feira à noite, visivelmente emocionado, ao subir ao palco para receber a distinção.

Não é para menos. O reconhecimento chega ao terceiro romance, depois de o jamaicano quase ter desistido de escrever, derrotado pelas cerca de 80 vezes que viu ser recusado o seu primeiro livro.

“A certa altura convenci-me que estava a escrever o tipo de histórias que ninguém queria ler”, afirmou, citado pelo “The Guardian”. “Na verdade desisti mesmo. Destruí esse primeiro manuscrito e apaguei-o também do computador de amigos meus.” Para o recuperar, recorda, foi preciso pesquisar nas mensagens antigas da sua caixa de correio digital.

Mas Marlon James é agora, reconhecidamente, o autor de uma obra que, nas palavras do presidente do júri, Michael Goods, “será considerada um clássico do nosso tempo”.

“A Brief History of Seven Killings” recria o que aconteceu a 3 de dezembro de 1976, quando, em vésperas de umas tensas eleições na Jamaica, sete homens armados com metralhadoras invadiram a casa do cantor de reggae Bob Marley para o matar. A estrela nacional escapou, mas o episódio desencadeou uma onde de medo e violência nas ruas da capital jamaicana, Kingston.

Ao longo de quase 700 páginas, a obra conta também a ascensão do tráfico de drogas na Jamaica. “É um romance policial que se move para além do mundo do crime e nos leva a uma história de que sabemos muito pouco”, afirmou o presidente do júri, ao anunciar o prémio.

Fundado em 1969, o Man Booker Prize tem um valor pecuniário de 50 mil libras - cerca de 67 mil euros - e começou por ser apenas atribuído a romances escritos em inglês de autores do Reino Unido, Irlanda, Commonwealth e Zimbabué. Só há dois anos foi alargado a todas as nacionalidades.

Marlon James dedicou o prémio ao pai, já falecido.