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“Daily Show”. Sucessor de Jon Stewart faz piadas com o Papa

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As próximas semanas permitirão compreender se Trevor Noah (à direita) estará à altura da marca que Jon Stewart (à esq.) deixou no “Daily Show”

MARIO ANZUONI / Reuters

Trevor Noah diz querer evitar dar a impressão de que o antigo apresentador deixou a sua herança a um miúdo qualquer que encontrou em África

Luís M. Faria

O substituto de Jon Stewart no “Daily Show” foi aprovado, embora não com louvor e distinção. A julgar pelas críticas dos jornais à sua estreia, Trevor Noah conseguiu não desiludiu os indefetíveis do seu antecessor na apresentação do talk-show, mas vai demorar muito a atingir o mesmo estatuto de figura de culto, se isso alguma vez acontecer.

Noah, de origem sul-africana, teve a sensatez de incluir uma boa dose daquilo a que os americanos chamam “self-deprecating jokes” – piadas a si mesmo.

Começou por dizer que ia fazer os possíveis para que não ficasse a ideia de que Jon Stewart era como um daqueles milionários que morrem e deixam tudo a um miúdo qualquer em África. No tempo em que era criança na África do Sul, acrescentou, jamais poderia imaginar que um dia teria casa de banho dentro de casa e apresentaria o “Daily Show”. À primeira dessas coisas, já tinha conseguido aceitar.

Depois começaram as piadas políticas, em especial a John Boehner, o porta-voz agora demissionário da Câmara dos Representantes, que recebeu o Papa Francisco e chorou ao lado dele. O próprio Papa foi alvo de uma piada com subtexto ordinário (sobre uma aparente necessidade de “subcompensar”) a propósito do pequeno Fiat 500 em que se fez transportar nalgumas das suas deslocações pelos Estados Unidos.

Seguiu-se uma entrevista branda com outro comediante, Kevin Hart, e mais algumas piadas nem sempre felizes (e que por vezes foi preciso explicar, o que é sempre mau sinal). As próximas semanas permitirão compreender se Jon Stewart deixou o lugar nas mãos de alguém à sua altura.