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Casa da Música entra em transgressão

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As pianistas Katia e Marielle Labèque integram um programa com uma ópera sobre Giordano Bruno em estreia mundial, o trio de Carla Bley e o regresso do ciclo do Barroco

Site oficial de Katia e Marielle Labèque (http://www.labeque.com) / © Brigitte Lacombe

Serão três meses intensos e marcados desde logo pela estreia mundial, no próximo dia 12, sábado, da ópera em 12 atos “Giordano Bruno”, uma encomenda da Casa da Música, do Réseau Varèse e do Thêatre & Musique de Paris. Lá mais para a frente, a 9 de outubro, as irmãs Katia e Marielle Labèque regressam ao ciclo de piano para interpretar “A Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, enquanto a 1 de novembro arranca “À volta do Barroco”, um dos ciclos sempre mais aguardados, com a Akademie für Alte Musik Berlin, que interpretará várias obras de Bach.

Os próximos dias serão de reencontro com a cidade, com dois concertos, esta sexta-feira e sábado, na Avenida dos Aliados. O primeiro, com a Banda Sinfónica Portuguesa, a partir das 22h desta sexta, será um tributo aos anos que antecederam a explosão do “rock & roll”. Ao ritmo do “swing”, a Banda Sinfónica, dirigida por Francisco Ferreira, fará ecoar pela avenida os sons de Glenn Miller, Benny Godman, Count Basie, Duke Ellington, Ella Fitzgeral e outros.

No dia seguinte, à mesma hora, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, sob a direção de Pedro Neves, apresenta um programa também destinado a arrebatar a multidão que tem vindo a acorrer estes concertos. Para lá da suíte de “Carmen”, de Georges Bizet, ou da “Dança Ritual do Fogo”, de Manuel de Falla, o programa inclui a Abertura sinfónica nº 3, de Joly Braga Santos, “Fandango”, de Luís Freitas Branco, e “Danças Eslavas”, de Antonin Dvorak.

Giornado Bruno inspira ópera

“Giordano Bruno” inaugura o ciclo Transgressões, composto por uma sintomática diversidade de propostas, entre as quais, para lá das irmãs Labèque, se incluem ainda, a 26 deste mês, “Transgressões sobre Mozart e Schumann”, pela Orquestra residente, dirigida por Brad Lubman, com a estreia europeia de “Divertimento das Musas”, de Charles Wuorinen, vencedor do prémio Pulitzer aos 32 anos e hoje um dos estacados compositores a nível mundial. A obra incluída no programa surgiu de uma encomenda inicial do New York Ballet e proporciona uma viagem até as sonatas para piano da juventude de Mozart e da ópera "Don Giovanni".

No dia seguinte, 27, o Coro da Casa da Música também entra em transgressão, sob a direção de Paul Hillier, com uma incursão na música coral inglesa do século XVII. Serão ouvidas obras muito conhecidas, seja na sua versão original, seja em transcrições corais assinadas por Paul Hillier.

Ainda nas transgressões, o dia mundial da música, a 1 de outubro, será assinalado pelo Serviço Educativo com uma formação inédita de 100 flautas, 100 saxofones e 100 clarinetes, num concerto com obras escritas por alunos do Curso de Composição da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, e do qual resulta a atribuição do Prémio de Composição Casa da Música/ESMAE.

Carla Bley no ciclo de jazz

Uma iniciativa a seguir com atenção é o encerramento do “Harmos Plural 2015”, a 20 deste mês, por reunir projetos concebidos nas melhores escolas de arte do mundo, com vários agrupamentos das áreas do jazz e das músicas do mundo distribuídos por diferentes espaços da Casa.

O outono traz o jazz, com um ciclo que abre, a 4 de outubro, com o pianista e compositor finlandês Kari Ikonen, vencedor do Prémio Yrjö 2013 como músico de jazz finlandês do ano. Surge aqui acompanhado pelo contrabaixista arménio Ara Yaralyan e o baterista Makku Ounaskari, um artista da editora ECM, também distinguido com o Prémio Yrjö em 2014.

Na mesma noite atua o Motion Trio de Rodrigo Amado, acompanhado de Miguel Mira (violoncelo) e Gabriel Ferrandini (bateira). Ainda no jazz, no dia 11 entra Myles Sanko, apresentado “como uma nova estrela no universo da música soul”, e a banda britânica de soul “Incognito”. A 17 é a vez do Quarteto de Carlos Martins e do trio do espanhol Javier Paxariño. No dia seguinte acontece um dos momentos mais esperados, com Carla Bley Trios. A pianista surge acompanhada de dois músicos que há muito a acompanham e com ela gravaram para a ECM “trios”: Andy Sheppard (saxofone) e Steve Swallow (baixo elétrico).

O Remix faz anos e o seu 15º aniversário será assinalado a 20 de outubro com a estreia mundial póstuma de “Un calendrier révolu”, de Emmanuel Nunes.

Com muitos outros concertos pelo meio, acontece novembro e com a chegada do penúltimo mês do ano vem também um dos ciclos que mais paixões despertam entre importantes sectores do público da casa da Música. “À Volta do Barroco” começa no dia 1 com a Akademie für Alte Musik Berlin, dirigida por Georg Kallweit. Vai interpretar várias obras de Bach. Dois dias depois, o pianista e cravista alemão Andreas Staier dá continuidade ao ciclo, que prosseguirá quase até final do mês.

Dezembro é tempo de natal e isso vai refletir-se numa programação recheada de propostas musicais inspiradas ou motivadas pela quadra natalícia.