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Sérgio Godinho. Sete décadas de um primeiro dia

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Rita Carmo

Comemorou esta segunda-feira 70 anos e é um dos músicos mais respeitados em Portugal. Marcou gerações e ainda não desistiu de lutar. Uma vida cheia de música (e não só). Celebramos a vida com Sérgio Godinho e recuperamos algumas das histórias de uma vida cheia

O pequeno Sérgio entrou na escola e não gostou. Foi à Revista do Expresso que contou a sua entrada no ensino primário. "Durante cinco ou seis dias, eu detestei ir à escola, saía de casa, vomitava." Desde cedo que não se conformava perante as adversidades e o excesso de autoridade fazia-lhe confusão. Os pais mudaram-no para o colégio Almeida Garrett, onde o irmão mais velho já estudava. Entre peripécias que preocuparam os pais — como decidir ir para casa sozinho e ficar desaparecido durante três horas — foi crescendo e tornou-se um bom aluno.

Ao atingir a maioridade rumou ao estrangeiro. Genebra acolheu-o para estudar Psicologia e, depois de umas passagens pelo Brasil, pela Jamaica e pela Holanda, viveu por Paris durante três anos. A Cidade-Luz deu-lhe a oportunidade de assistir ao Maio de 68, uma altura de grandes revoluções estudantis que haviam de o marcar. A liberdade não se esquece.

Não viveu a Revolução dos Cravos em Portugal, mas nem por isso a sentiu de uma forma menos intensa. Vivia em Vancouver, no Canadá, e soube dos acontecimentos através dos jornais de 26 de abril. Nesse tempo, as comunicações eram difíceis e as notícias demoravam a chegar.

Temeu que se tratasse de um golpe de extrema-direita, mas acabou por saber da existência do Movimento das Forças Armadas (MFA), que pretendia "libertar os presos políticos e (...) reconhecer o direito à autodeterminação" dos povos sob domínio português.

Do teatro na cidade canadiana para o teatro da realidade em Portugal, Sérgio Godinho rapidamente regressou. Chegou a Portugal em maio de 1974 e logo participou nos "Cantos Livres". Fê-lo com nomes como o de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais ou Manuel Freire.

Foi por cá, e em português, que continuou a criar as suas canções. Gravou discos — muitos —, deu concertos — mais ainda. Entre o passado e o presente, a preocupação com os direitos manteve-se. "À Queima Roupa" foi o seu álbum de 1974 e no último ano regressou com uma nova versão de "Liberdade".

Mostramos aqui duas versões do mesmo tema (uma no vídeo em cima e outra já a seguir) para evidenciar que Sérgio Godinho não perde a força (até nos parece que sai reforçada).